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A Bolsa de Valores brasileira está cara, pois não incorpora corretamente os riscos mundiais, afirmou o sócio e chefe de estratégia da gestora Fram Capital, Henry Gonzalez, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Na opinião do executivo, o nível da Bolsa indica que o risco mundial está mal precificado, assimétrico.

Uma pontuação mais próxima de 55 mil pontos a 60 mil pontos refletiria riscos mais equilibrados, estimou.

Gonzalez, que está à frente da administração de R$ 400 milhões na gestora brasileira fundada por um grupo de executivos oriundos do Santander, sugere uma grande dose de ceticismo sobre as possibilidades de retornos dos ativos. Ele classifica como arriscado o nível atual de preços na Bolsa. "Se houver uma besteira quanto a um risco soberano (internacional), o nível de preços é totalmente distinto", ponderou. "O nível de risco que se toma aqui parece excessivo", completou.

A questão soberana no mundo é um dos "três grandes riscos" citados que o estrategista avalia como precificado inadequadamente pelo Ibovespa nos níveis atuais, oscilando próximo aos 70 mil pontos. Outro é um fortalecimento do dólar em escala global, a partir da hipótese de maior crescimento da economia norte-americana em comparação a outras economias centrais e, também, da percepção de que os EUA serão "os primeiros a subirem o juro marginalmente" entre estas economias.

Neste cenário, ele vê "um mundo com o dólar forte, que é um mundo em que, usualmente, as commodities são fracas". No Brasil, o executivo julga que é "mais provável" ver o real mais desvalorizado do que valorizado no curto prazo. É mais fácil o dólar se mover de R$ 1,80 para R$ 1,90 do que para R$ 1,60, avaliou. "O risco das commodities vai na direção de desvalorização, e não valorização. Risco é dólar mais forte, não mais fraco", reforça.

Uma outra fonte de risco é a China, afirma Gonzalez. Ele cita que só se vê avaliações positivas sobre o país asiático, mas compara a China a um malabarista que equilibra cinco pratos no ar, que representariam hipóteses favoráveis ao país. Uma delas seria a hipótese de o país se transformar em consumidor mundial de última instância, substituindo o consumidor norte-americano. "E se cair um prato? Os preços (hoje na Bolsa) refletem que vai cair?, pergunta o executivo, fazendo a ressalva de que ele não está prevendo uma catástrofe, mas quer enfatizar que os riscos embutidos nos preços dos ativos são muito assimétricos.

Em um total de seis pregões consecutivos até o dia 18, a Bovespa registrou alta em apenas um deles. Em paralelo, o índice Dow Jones vem apresentando elevações consecutivas, inclusive registrando novas máximas no período. Para o estrategista, o que vem ocorrendo é uma maior distinção nos mercados. Esta tendência, avalia, diferencia-se daquela experimentada durante o período de março a novembro de 2009, quando "o mercado subiu como um todo. O único que não subiu foi o dólar".

Gonzalez cita o mercado acionário norte-americano como um dos que estão "relativamente bem". Na sequência, ele classifica que os mercados mais baseados em commodities parecem "menos claros" e, finalmente, avalia que há um "movimento punitivo" para os mercados de países cujo risco soberano foi percebido como mal precificado. O Brasil, observa Gonzalez, é parte substancial deste segundo caso. Na Bolsa brasileira, diz ele, "o risco grande é haver queda dos preços".

Para conferir a entrevista, basta clicar no ícone "AE Broadcast Ao Vivo" que fica na parte superior da tela do seu AE Broadcast.

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