Tamanho do texto

Isabel Saco Genebra, 19 jul (EFE).- A reunião entre representantes do Irã e de países ocidentais, com a presença, pela primeira vez, de um enviado dos Estados Unidos, terminou sem que fosse possível superar o bloqueio do processo com o qual se pretende dissipar as dúvidas sobre as atividades nucleares iranianas.

As conversas realizadas hoje em Genebra eram precedidas de uma grande expectativa pela decisão de Washington de enviar às negociações o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos e terceiro na hierarquia do Departamento de Estado americano, William Burns.

Este foi um fato inédito, já que um representante americano não participava de uma reunião formal com o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

Teerã também tinha contribuído para gerar esperanças de que esta reunião tivesse um resultado positivo pelas posições moderadas adotadas pelo Governo iraniano nos últimos dias.

No entanto, a reunião terminou sem avanços, pois o Irã não ofereceu uma resposta clara ao pacote de ofertas apresentado há um mês pelo alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, em nome de França, Reino Unido, EUA, China, Rússia e Alemanha.

Em entrevista coletiva ao término das cinco horas de conversas, Solana disse que o encontro tinha sido "construtivo", mas admitiu que o negociador iraniano, Saeed Jalili, não deu as respostas esperadas.

Ele acrescentou que seu interlocutor apresentou um "extenso documento" que aborda os "elementos comuns" das posições de Teerã e Ocidente, mas que "não responde às perguntas" feitas em relação à sua vontade de interromper o programa de enriquecimento de urânio.

As nações ocidentais ofereceram ao Irã entrar em um período de pré-negociação de seis semanas, durante o qual esse país poderia continuar com a atividade nuclear ao nível atual, mas se comprometeria a não iniciar novas centrífugas.

Em troca, as seis potências não adotariam novas sanções contra si.

Posteriormente, começaria uma fase de negociações formais, durante as quais Teerã aceitaria deter temporariamente suas atividades nucleares.

Fontes européias próximas aos negociadores advertiram de que o processo "está entrando em um momento no qual se requerem respostas claras".

Segundo elas, na reunião, Solana apresentou ao interlocutor uma carta assinada pelas seis potências e dois documentos, um dos quais apontava o caminho a ser seguido para entrar em negociações formais, mas que não pôde ser abordado pela falta de avanços.

Na entrevista coletiva, Jalili evitou dar uma resposta concreta sobre a possibilidade de que o Irã aceite congelar o programa nuclear do país.

Solana disse que acertou com Jalili retomar o contato "em aproximadamente duas semanas", seja pessoalmente, por telefone ou através de emissários, embora não tenha fixado uma data concreta.

Questionado sobre as conseqüências que teria se o Irã também não respondesse às propostas do Ocidente nesse prazo, Solana disse que preferia "esperar e receber uma resposta", para depois acrescentar que se a situação não variar, os países envolvidos terão que avaliar "quais passos tomar".

Sobre a presença de Burns, ambos evitaram comentar se em algum momento da reunião este tomou a palavra. Washington tinha afirmado que seu representante só ouviria as conversas.

Jalili afirmou que a posição do Governo iraniano nesta questão "é estratégica, antes que tática", e mencionou em mais de uma vez o papel que o Irã possui na estabilidade e segurança do Oriente Médio.

Depois da reunião, o Governo americano disse que o Irã "tem que escolher entre a cooperação ou o confronto".

"Esperamos que os iranianos entendam que seus líderes têm que decidir entre a cooperação, o que seria benéfico para todos, ou o confronto, o que aumentaria mais o seu isolamento" na comunidade internacional, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack.

O Governo de Teerã assegura que o enriquecimento de urânio tem como único objetivo a produção de eletricidade, mas as nações ocidentais temem que a intenção seja obter poder atômico. EFE is/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.