SÃO PAULO - A Fosfertil, maior produtora de matérias-primas para adubos do país, encerrou o terceiro trimestre deste ano com receita líquida consolidada de R$ 1,1 bilhão, 55% mais que em igual intervalo de 2007 e a maior na série histórica ajustada pela inflação. O resultado operacional foi de R$ 381,9 milhões, 42% acima, e lucro líquido fechou em R$ 276,3 milhões, alta de 45%.

Como aconteceu nos dois primeiros trimestre de 2008, os resultados da Fosfertil ainda foram impulsionados entre julho e setembro pela combinação entre demanda aquecida e preços elevados, nos mercados internacional e doméstico. Como o país depende de importações, as oscilações externas dos preços têm reflexos diretos nas vendas no país.

A situação começou a mudar justamente em setembro, quando o consumo nacional diminuiu. Em parte o recuo decorreu da antecipação de vendas até junho, mas em parte refletiu a falta de crédito dos agricultores para adquirir o insumo. Segundo a Conab, esse freio terá como consequência a redução da produtividade em algumas lavouras - como a soja no Centro-Oeste - de verão nesta safra 2007/08, que está sendo plantada.

Segundo fontes do mercado, em outubro a paralisia se aprofundou. Vendas e produção nacional voltaram a cair, e as importações foram bastante limitadas. Nesse cenário, que já comprometeu a expectativa de um novo recorde de vendas em 2008, analistas acreditam que as empresas do segmento terão dificuldades em manter o ritmo de crescimento no quarto trimestre.

De janeiro a setembro, a receita líquida consolidada da Fosfertil atingiu R$ 2,7 bilhões, 51% superior à registrada nos nove primeiros meses de 2007, o resultado operacional foi de R$ 994,1 milhões, aumento de 89%, e o lucro líquido cresceu 85%, para R$ 679,2 milhões.

Ao contrário de outras empresas do setor de agronegócios, como Perdigão, Marfrig e Heringer (que também atua no mercado de fertilizantes), a Fosfertil não teve impacto cambial financeiro relevante por causa da alta do dólar.

" Somos conservadores " , resume Vital Jorge Lopes, presidente da empresa - que se apressa em garantir que a Fosfertil não opera com derivativos, que tanta dor de cabeça provocou em empresas como Sadia, Aracruz e Votorantim.

O executivo garante que, apesar das turbulências financeiras e da desaceleração econômica globais, a companhia manterá seus investimentos em melhorias e expansão. Na unidade de Uberaba (MG), a Fosfertil está investindo R$ 300 milhões. Em Patrocínio (MG), a empresa iniciou um projeto de longo prazo que prevê aportes totais de R$ 2 bilhões. " Tudo continua como antes " , disse.

Até setembro, a Fosfertil comercializou 1,037 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados de alta concentração, 11% menos que em igual intervalo de 2007. No segmento químico, as vendas foram de 480 mil toneladas, 7,7% mais na comparação.

(Fernando Lopes | Valor Econômico)

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