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Fórum de Davos começa em meio à angústia com recessão mundial

Grandes empresários, chefes de Estado e primeiros-ministros se reuniram, em Davos (Suíça), nesta quarta-feira, na 39ª edição do Fórum Econômico Mundial, onde a habitual autocelebração deu lugar à angústia diante da recessão que ameaça o planeta.

AFP |

Sinal dos tempos difíceis, os grandes figurões do setor bancário americano se mantêm discretos este ano, enquanto que a nova equipe no poder, em Washington, brilha por sua ausência, em um Fórum com clima menos festivo do que nos anos anteriores.

As estrelas desse primeiro dia foram o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e seu colega russo, Vladimir Putin, que, em discursos muito parecidos, destacaram a responsabilidade da finança ocidental na crise atual e pediram mais cooperação internacional.

Wen Jiabao pediu "o estabelecimento de uma nova ordem econômica mundial que seja justa, igualitária, sólida e estável" e criticou o modelo americano baseado no endividamento e no excesso de consumo. O premier chinês estabeleceu como meta um crescimento de 8% para 2009, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê apenas 6,7%.

Em seu discurso inaugural, Vladimir Putin lembrou que, há um ano, em Davos, "os americanos desejavam a estabilidade fundamental de sua economia. Hoje, os bancos de investimentos, o orgulho de Wall Street, praticamente desapareceram", comentou.

No ano passado, a crise parecia, efetivamente, restrita aos bancos ocidentais que haviam-se arriscado nos "subprimes", e China e Índia salvariam o mundo da recessão. Dessa vez, "estamos todos no mesmo barco", acrescentou Putin diante de uma boa parte dos 2.500 prestigiosos participantes de um evento, pelo qual também passarão cerca de 40 chefes de Estado e de Governo.

Até sábado, Davos será a sede das intervenções da chanceler alemã, Angela Merkel, e dos primeiros-ministros de Grã-Bretanha e Japão, Gordon Brown e Taro Aso, cujos países já gastaram centenas de milhões de dólares para combater a crise.

Os presidentes do México, Felipe Calderón, e da Colômbia, Álvaro Uribe, assim como o chanceler brasileiro, Celso Amorim, serão os mais importantes representantes latino-americanos em Davos.

Simultaneamente, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Hugo Chávez (Venezuela) e Fernando Lugo (Paraguai) participarão do Fórum Social Mundial, a cúpula alternativa que acontece no Brasil.

Enquanto o FMI anunciava, em Washington, novas previsões sombrias de crescimento para 2009, um estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers, divulgado em Davos, mostrava uma queda brutal do ânimo de mais de mil empresários presentes na Suíça.

Há 12 meses, metade dos entrevistados se dizia "muito confiante", enquanto que, agora, apenas 21% se sentem dessa forma.

Outro sinal de crise, no Fórum, fica por conta dos coquetéis e jantares rarefeitos e da ausência de artistas de reconhecido compromisso com temas sociais, como o cantor do grupo U2, Bono, que todos os anos comparecia ao evento para defender os países endividados da África e, desta vez, não estará presente.

Embora Davos continue sendo, para os poderosos, um lugar propício para fechar negócios e conversar em particular, este ano, a necessidade de entender o que está acontecendo no mundo é palpável, e os debates previstos seguem essa linha.

Além da recessão, um tema recorrente na reunião será o retorno do papel do Estado. Nesse sentido, uma das questões que estarão sobre a mesa será a margem de manobra que os governos deixarão para as empresas, após terem gasto bilhões de dólares para salvar bancos e socorrer a economia.

A volta do protecionismo também estará em pauta.

po/tt

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