O novo presidente do banco holandês belga Fortis, Filip Dierckx, reconheceu nesta segunda-feira que o grupo cometeu um erro ao comprar seu concorrente ABN Amro, um dia depois de sua nacionalização parcial pela Bélgica, Holanda e Luxemburgo para salvá-lo da quebra.

Apesar do plano estatal anunciado domingo, a ação do Fortis opera em queda de 3,85% na Bolsa de Bruxelas e de 3,47% em Amsterdã com relação ao valor de sexta-feira, nos mercados, quando já havia perdido 20% de seu valor.

"Não vou desmentir que, se olharmos para certas decisões do passado, provavelmente veremos que elas foram tomadas no momento errado. Claro que houve um 'timming' ruim na operação do ABN Amro", disse Filip Dierckx, nomeado na noite de sexta-feira novo presidente do Fortis, referindo-se aos problemas de liquidez do banco.

"Olhamos para isso no fim de semana e concluímos que, neste momento, é simplesmente muito para a empresa", continuou Dierckx em entrevista à imprensa um dia depois do anúncio da nacionalização parcial pelos três países do Benelux.

Bélgica, Holanda e Luxemburgo (Benelux) decidiram injetar 11,2 bilhões de euros no Fortis, primeiro banco belga e segundo holandês, para tentar tranqüilizar os clientes e os mercados, recebendo em troca uma participação de 49% na filial bancária do grupo de seus respectivos países.

A Bélgica investiu 4,7 bilhões de euros, a Holanda injetou 4 bilhões de euros e Luxemburgo desembolsou 2,5 bilhões.

Esta nacionalização do também primeiro empregador privado da Bélgica e que tem cerca de seis milhões de clientes (em Benelux) é, no entanto, uma solução provisória, pois os governos não têm interesses em se manter no capital da entidade, disse nesta segunda-feira o ministro belga das Finanças, Didier Reynders.

"Evidentemente, nosso interesse não é permanecer no capital do Fortis", disse Reynders à rádio pública belga RTBF.

O objetivo da medida é evitar um efeito dominó e um contágio ao conjunto da Europa da crise financeira originada nos Estados Unidos.

Porém, segundo um corretor da Bolsa de Zurique, entrevistado pela AFP, os problemas do Fortis já estão "afetando as ações dos bancos europeus, gerando riscos de fortes desvalorizações dos ativos no terceiro trimestre".

As ações do maior banco da Suíça, o UBS, operam em queda de mais de 8% nesta segunda-feira devido a este temores.

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