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Fornecedores de gado e grãos assinam pacto

Representantes de três setores-chave da economia - soja, pecuária bovina e madeira - assinam hoje, em São Paulo, um pacto com organizações civis e duas grandes redes varejistas para fornecer produtos que respeitem critérios ambientais e sociais. O acordo é voluntário e visa a eliminar práticas ilegais nas cadeias produtivas, para que o consumidor tenha acesso a um produto sem passivos nessas áreas.

Agência Estado |

O pacto começa capenga em uma questão fundamental, a fundiária. Dos nove Estados da Amazônia Legal, apenas um, Mato Grosso, possui um cadastro oficial de propriedades rurais, o que permite saber se a terra de onde vem o produto está legalizada. "É preciso ter consenso e esse critério não foi aceito", diz Caio Magri, do Instituto Ethos.

Toda a região enfrenta graves problemas fundiários, com a grilagem de terras públicas, a sobreposição de títulos de propriedade e a invasão de áreas de conservação. Foi em uma estação ecológica, por exemplo, que o Ibama apreendeu em junho 3.100 "bois piratas", que seriam revendidos para um frigorífico e cairiam na mesa do brasileiro.

Segundo Magri, dois critérios serão aplicados inicialmente. O fornecedor do produto (madeira, carne, grãos e óleos vegetais) não poderá estar na lista suja do trabalho escravo. Além disso, ele não pode ter qualquer propriedade sua embargada pelo Ibama, ou seja, local onde foi constatado desmatamento ilegal.

Os grãos, derivados e a carne não seguem diretamente do produtor para a gôndola do supermercado. Eles passam primeiro por grandes empresas que compram a produção, fazem o beneficiamento e repassam para o mercado. São elas o grande foco do pacto, pois têm o poder de exigir dos fornecedores que cumpram critérios socioambientais.

Por sua vez, as grandes redes varejistas podem pressionar as empresas intermediárias a tomarem esse cuidado. "Vamos exigir que todos os nossos fornecedores sejam signatários (do pacto)", diz Christianne Orioste, gerente de sustentabilidade do Wal-Mart Brasil. Segundo o diretor comercial de perecíveis da empresa, Idênio Belmonte, a exigência não vai se refletir em aumento de preço ao consumidor.

Para a senadora Marina Silva (PT-AC), a idéia não pode ser "apenas uma declaração de intenção" e deve ter metas e verificação do que é feito. Magri afirma que a meta é incluir 100% da produção em uma cadeia sustentável e, assim, reduzir o desmatamento na Amazônia.

Ontem foi apresentado, no seminário Conexões Sustentáveis, um trabalho investigativo, realizado pelas ONGs Repórter Brasil e Papel Social, sobre cadeias produtivas na Amazônia. Eles relacionaram atividades ilegais com grandes empresas de projeção nacional. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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