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Fornecedora de droga antiaids é investigada

O laboratório farmacêutico indiano Ranbaxy, um dos maiores produtores de medicamentos genéricos do mundo, é alvo de uma investigação do governo norte-americano nos últimos três anos sobre suposta venda de drogas de qualidade duvidosa. O FDA, órgão responsável pela fiscalização de remédios nos Estados Unidos, solicitou à Justiça acesso a documentos da companhia, que mantém operações em 49 países e indústrias em 11.

Agência Estado |

A Ranbaxy opera no Brasil desde 2000 e atualmente fornece ao País, por exemplo, o medicamento Efavirenz, contra a aids, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A droga foi licenciada compulsoriamente pelo governo no ano passado, o que permitiu as importações da Índia enquanto o Brasil não inicia a produção nacional do medicamento. As previsões são de que fabricação só comece no ano que vem, oito meses após o previsto.

A diretora do Programa Nacional de Aids, Mariangêla Simão, destacou que o medicamento importado é pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que não há qualquer problema com o remédio. A Anvisa informou "conhecer as notícias", mas que não foi informada oficialmente.

Ainda de acordo com a Anvisa, as instalações da empresa no Rio passaram por vistoria no ano passado.

Viagem à Índia

O Ministério da Saúde destacou que o Efavirenz é o único produto da empresa comprado pelo governo federal. O secretário de Gestão Participativa da pasta, Antônio Alves, informou que o ministro José Gomes Temporão embarcou ontem para a Índia, para negociações em torno do fornecimento de genéricos. Ele não soube, porém, informar se Temporão trataria do caso Ranbaxy.

A reportagem tentou ouvir ontem representantes do laboratório indiano, mas não localizou responsáveis nos telefones disponíveis no site da farmacêutica no País. Um comunicado no site da Ranbaxy destaca que não são verdadeiras as afirmações feitas pelo governo à Justiça norte-americana e enfatizou que não há nenhum processo contra a empresa. Ainda de acordo com o comunicado, mais de 200 amostras de remédios da companhia já foram testadas pelo FDA e nenhum problema foi encontrado. "A Ranbaxy continua comprometida em fornecer genéricos de alta qualidade e a preços acessíveis nos EUA", diz ainda o texto.

Lobby antigenéricos

Nos últimos anos, a companhia indiana tem enfrentado uma série de batalhas judiciais contra multinacionais que fabricam medicamentos patenteados.

A indústria de patenteados, com forte lobby nos EUA, principal sede das farmacêuticas, tem respondido ao crescimento do mercado de genéricos reiterando preocupações com a suposta má qualidade das drogas do setor concorrente. Recentemente, a companhia japonesa Daiichii Sankyo adquiriu 34,8% da Ranbaxy. Outros 20% do capital da companhia estão em negociação para transferência.

No congresso

Nos Estados Unidos, congressistas estão colocando sob suspeita o próprio FDA em razão dos supostos problemas com as drogas indianas. Nesta semana, dois representantes democratas, John Dingell e Bart Stupak, disseram estar investigando se a agência permitiu deliberadamente a venda de drogas da Ranbaxy apesar das suspeitas sobre os produtos. "Se for verdade, coloca em questão se o comando da agência cumpriu os requisitos mínimos de verificação dos dados",disseram eles.

Dingell preside a Comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes - Stupak chefia seu subcomitê de investigações. Um porta-voz do FDA disse que a agência responderá aos congressistas.

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