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Formas de driblar os entraves e exportar

Alessandro Teixeira, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a Apex, tem uma agenda atribulada e o passaporte sempre em dia. O economista responde pela área do governo que incentiva as exportações e atrai investimentos estrangeiros ao Brasil.

Agência Estado |

O público interno da Apex são as pequenas e médias empresas (PMEs) interessadas em vender produtos e serviços para outros países. No exterior, Teixeira tem seguido principalmente o movimento do governo rumo a novos mercados, em especial o asiático, africano e latino-americano. Para o economista, com doutorado na Inglaterra em competitividade industrial e inovação, as PMEs devem aproveitar as poucas regras limitadoras de exportação para esses mercados e ampliar as vendas internacionais. Nesta entrevista, Teixeira faz uma análise do atual momento das empresas brasileiras no mercado externo e dá algumas dicas sobre como é possível se adequar ao câmbio e as barreiras comerciais.

Como tem sido a evolução das pequenas e médias empresas brasileiras no comércio internacional nos últimos anos?
Principalmente a evolução para novos mercados tem sido excelente. Algumas alianças têm se formado. Por exemplo, entre a China e a África, a Rússia e o Leste Europeu. Para o Brasil, ao mesmo tempo que isso significa mais competição nos novos mercados, é uma forma de corrermos atrás de outras oportunidades. Parte desse movimento tem acontecido graças a viagens internacionais do presidente Lula a mercados não tradicionais. As visitas abrem as portas e as PMEs entram mais fortemente nesses países. Mas não adianta termos apenas potenciais compradores para os nossos produtos. É preciso que as empresas brasileiras se adaptem a barreiras cada vez maiores. Um exemplo recente é a medida REACH (Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemical substances), da União Européia, que criará um sistema único com o registro de mais de 30.000 substâncias químicas utilizadas hoje. Todas as substâncias químicas fabricadas ou exportadas para a UE em quantidades acima de uma tonelada estão sujeitas ao registro (por exemplo, elementos químicos em estado natural, como metais e amoníacos; preparações químicas, como cimento e tinta; e artigos que utilizem substâncias químicas, como termômetros). A medida entra em vigor no início de 2009 e levou quatro anos para sair do papel. Infelizmente o setor não acompanhou essa história de perto desde o começo e agora terá de correr atrás para se adaptar. Neste caso nós acordamos muito tarde.

Como é possível se antecipar a decisões como essa?
Hoje estamos conversando com o Itamaraty para termos um escritório em Bruxelas. Em vez de cada entidade montar a sua estrutura, como se cogitou, haveria uma parceria entre a Apex e o Ministério das Relações Exteriores para identificar normas e barreiras técnicas desse tipo e tentar intervir a tempo. A idéia do escritório em conjunto deve ser colocada em prática ainda neste ano. A UE se diz aberta para o comércio internacional, mas usa subterfúgios cada vez mais fortes para colocar em prática uma série de barreiras técnicas.

De que forma a Apex tem definido suas estratégias de ação?
Uma ferramenta importante é o uso de dados sobre os mercados. Hoje trabalhamos com informações de mais de 100 países, sabemos qual tem sido o crescimento econômico e quais são seus acordos tarifários. Isso facilita o trabalho não só na área de promoção de exportações, mas também de atração de investimentos. Não queremos apenas ajudar a levar empresas para o exterior. Trabalhamos para trazer para cá empresas interessadas em joint-ventures ou em montar sozinhas seus próprios negócios.

Quais são as outras formas de marcar presença internacional?
A Apex lançou no passado a idéia dos centros de distribuição para as PMEs. Com o tempo percebemos que não adiantava ter um centro de distribuição de mercadorias se antes não havia um negócio entre o exportador brasileiro e o comprador estrangeiro. Primeiro precisávamos gerar negócios para depois ter uma estrutura responsável pela distribuição dos produtos. O primeiro centro lançado, agora reestruturado, foi o de Miami, o mais ativo de todos. Também estamos em fase de mudanças no centro de Dubai. Mas há outros que ainda estão em fase de análise de viabilidade. É o caso de Frankfurt, onde em três anos não tivemos nenhuma empresa brasileira, e o de Lisboa, onde há apenas uma empresa. Os dois próximos centros serão o da China e o de Cuba, dois mercados consumidores que indiscutivelmente estão em expansão acelerada. Hoje em Cuba há muitos produtos brasileiros, como computadores, fogões e cerâmicas. Sem falar na China, que acaba de ver a chegada de 300 milhões de pessoas ao mercado consumidor. Com a mudança do projeto, os centros de distribuição passam a chamar Centros de Suporte às Empresas Brasileiras.

De que forma o fato de o senhor ocupar a presidência da Waipa, a World Association of Investiment Promotion Agencies, pode ajudar o Brasil a conquistar novos negócios?
Fui eleito para o cargo em abril. Foi como se a Apex passasse da disputa de futebol na terceira divisão para a primeira. É a primeira vez que um país sul-americano ocupa a presidência. Na função, posso acompanhar mais de perto o que está acontecendo nos países associados (são 156). O mandato é dois anos, renováveis por mais dois. Em dezembro pela primeira vez o Brasil vai sediar o encontro da Waipa, no Rio. O evento deve reunir representantes de pelo menos 40 países. Será uma oportunidade de diminuir a distância entre o Brasil e outros países, principalmente aqueles com os quais não temos uma relação comercial muito ativa.

Como é possível manter o ânimo das pequenas e médias empresas na hora de exportar com um dólar tão desfavorável?
Nasci no setor têxtil. Meu pai é dono de uma pequena confecção no Rio Grande do Sul e o tema exportação faz parte de empresas como a dele. O que quero dizer é que hoje todo empresário pensa na possibilidade de exportar, independentemente das condições da economia. Difícil encontrar quem não tenha participado de uma feira internacional. Exportar é uma questão de estratégia de negócio, uma forma de não depender apenas do ânimo do mercado interno. É uma forma de o empresário estar continuamente preocupado em melhorar seu produto, investir em inovação e em valor agregado. A economia americana continua perdendo dinamismo e é melhor nos acostumarmos com esse câmbio. A saída é apostar na redução de custos para diminuir as perdas com o câmbio.

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