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Formação adequada e estágio são essenciais Por Marcus Vinícius Brasil São Paulo, 17 (AE) - Sólida formação de base e uma boa combinação de conhecimentos técnicos adquiridos não apenas na faculdade, mas também em estágios. Essas são as principais características que as empresas de tecnologia buscam nos candidatos.

Possuir uma afinidade com as ciências exatas, como foi o caso de Yara Silva, retratada na capa deste caderno, é um bom ponto de partida. "A culpa da má formação não é apenas das universidades. Às vezes, elas recebem alunos sem conhecimentos básicos de matemática, o que torna o processo bem mais complicado", afirma Bruno Guiçardi, da empresa CI&T.

"Não há uma exigência rígida em relação a cursos de graduação. Trabalhamos com engenheiros, gente formada em ciência da computação, processamento de dados e afins", afirma Paula Jacomo, diretora de RH da SAP.

É comum ouvir reclamações de que os cursos superiores não correspondem às exigências do setor de tecnologia. Por esse motivo, algumas consultorias recomendam que os jovens comecem a estagiar durante o curso para conhecer a realidade do mercado e a rotina do trabalho.

"Acho que uma dica valiosa para quem está começando é procurar por estágios em empresas da área e, em seguida, especializar-se através de cursos e certificações (ler texto abaixo)", afirma Mário Fagundes, da Catho.

Algumas companhias têm parcerias com universidades, como é o caso da SAP. "Um dos pilares para a formação dos profissionais que trabalham conosco são os programas de estágio e trainees. Temos parcerias com universidades na capital e no interior de São Paulo, e conseguimos absorver cerca de 80% dos alunos participantes. Entre as instituições estão a Universidade de São Carlos, Mackenzie e Anhembi Morumbi", diz Isabel Oliveira, do projeto SAP Professionals.

Para Djalmo Grando, da Oracle, "a universidade ainda forma um profissional à moda antiga. Ele é treinado em cursos de programação e processamento de dados, mas, quando termina os estudos, não domina os sistemas mais utilizados pelas empresas."
"Estamos ajudando as universidades a melhorarem seu currículo fornecendo ferramentas para uso prático. Isso ajuda o jovem a obter mais informações e ter maiores possibilidades de conseguir um emprego", afirma. Segundo o executivo, a Oracle possui convênio com mais de 200 instituições de ensino superior.

FAÇA VOCÊ MESMO - Além das pessoas que almejam trabalhar em companhias ligadas à área de tecnologia, muitos profissionais preferem montar um novo negócio. Para quem deseja seguir esse caminho, procurar uma incubadora é um bom ponto de partida.

Essas empresas são responsáveis por auxiliar no desenvolvimento de outras companhias iniciantes. Para isso, elas oferecem pequenos escritórios com telefone e acesso à internet. Também fornecem assessoria jurídica, contábil, de comunicação e comercialização. O objetivo é criar um ambiente ideal para que o empresário possa desenvolver o seu produto, que - nas incubadoras ligadas à TI - é quase sempre um software.

"As pessoas vêm para cá a fim de melhorar um programa e saber qual é a melhor forma de colocá-lo no mercado", explica Dinea Arissoto, gerente da Softex Campinas, uma das principais incubadoras do País. "Em geral, elas já têm uma idéia parcialmente desenvolvida e precisam de algum auxílio para terminar o projeto", afirma.

Além da assessoria, o ambiente de trabalho é uma das principais vantagens de uma incubadora. "As empresas trabalham de forma cooperativa e trocam informações", diz Franco Lazzuri, coordenador de software da CIETEC, localizada em São Paulo.

"Se um empresário descobre que um cliente precisa de um certo produto, ele pode indicar um parceiro", exemplifica.

Para ser admitido em uma incubadora, é preciso passar por um processo seletivo rigoroso, no qual especialistas selecionam os projetos capazes de serem bem-sucedidos no mercado. Durante o processo de admissão, a incubadora ajuda a empresa ingressante a montar um planejamento de negócios, que deverá ser seguido até ela conseguir se sustentar sozinha.

Apesar das inúmeras vantagens oferecidas, engana-se quem pensa que a vida do empresário admitido em uma incubadora é fácil. "A incubadora não é uma mãe", adverte Carlos Alberto Froés Lima, que montou a sua empresa na Softex e hoje opera no mercado. "Ela não tem a obrigação de oferecer todas as oportunidades possíveis, embora possa questionar o meu modelo de negócio e me ajudar a melhorar o meu produto", complementa.

Por isso, as incubadoras costumam fixar prazos bastante rígidos e não oferecer nenhuma espécie de auxílio financeiro. Quem deve buscar o financiamento é sempre o empresário. Alguns deles já chegam às incubadoras com clientes para os seus futuros produtos e financiamento garantido. "O ideal é que quem ingresse já esteja com tudo isso definido", diz Kleber Teraoka, proprietário de uma empresa incubada.

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