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Ford tem a maior perda da história: US$ 8,7 bi

A Ford Motor, aturdida diante das péssimas vendas dos seus carros mais lucrativos e da repentina mudança nos hábitos dos consumidores, divulgou ontem uma perda de US$ 8,7 bilhões no segundo trimestre, o pior resultado da sua história para o período. Também anunciou mudanças no foco produtivo, com concentração no segmento de veículos pequenos.

Agência Estado |

O prejuízo resultou essencialmente de baixas contábeis no valor de US$ 8 bilhões em razão da queda da demanda e dos valores de revenda de picapes e utilitários-esportivos, grandes consumidores de combustível. A Ford assumiu despesas de US$ 5,3 bilhões relacionadas à depreciação de ativos na América do Norte e mais US$ 2,1 bilhões na Ford Motor Credit Co.

Além disso, a empresa contabilizou prejuízo de US$ 1 bilhão com operações em andamento, ante lucro contabilizado em 2007 de US$ 483 milhões. A Ford teve prejuízo de US$ 1,3 bilhão na América do Norte, onde a gasolina a US$ 4 o galão levou consumidores a buscarem carros mais econômicos.

A Ford vai cortar a produção no restante do ano em mais 105 mil veículos, atingindo redução total de 26% em relação ao segundo semestre de 2007. A empresa vai reestruturar três fábricas de picapes na América do Norte, que passarão a produzir carros pequenos, e dobrar a produção de veículos híbridos, que rodam com gasolina e eletricidade. Entre os veículos que começará a fabricar e vender estão seis pequenos carros feitos pela marca na Europa.

"As condições externas na América do Norte mudaram dramaticamente num curto período de tempo", disse Mark Fields, presidente da divisão da Ford para as Américas. "Não pretendemos renunciar à nossa antiga liderança no segmento das caminhonetes, embora estejamos criando uma nova Ford na América do Norte, alicerçada em carros e crossovers pequenos e econômicos".

No segundo trimestre de 2007, a Ford obteve lucro de US$ 750 milhões. Em abril, surpreendeu Wall Street com um lucro de US$ 100 milhões no primeiro trimestre, mas o mercado para os veículos mais lucrativos deteriorou rapidamente.

As receitas caíram para US$ 38,6 bilhões no segundo trimestre, frente aos US$ 44,2 bilhões contabilizados no mesmo período do ano passado, em parte porque a empresa vendeu três marcas européias: Jaguar, Land Rover e Aston Martin.

As operações automotivas da Ford registraram lucro em todas as regiões, exceto na América do Norte, onde a empresa eliminou 4 mil vagas de horistas nos últimos três meses e está projetando cortar 15% da mão-de-obra assalariada em agosto.

Lucro no Brasil

Na América do Sul, região em que o Brasil responde por 60% a 70% das vendas, a Ford registrou o segundo maior lucro trimestral da história, com US$ 388 milhões. No semestre, a divisão acumula ganhos de US$ 645 milhões, 75% maior ante igual período de 2007.

Para o período 2007-2011, a empresa programou R$ 3,1 bilhões de investimentos só no Brasil. "Temos anunciado novos investimentos com o objetivo de continuar oferecendo produtos desejados pelo consumidor, melhorando cada vez mais nossa competitividade e gerando resultados financeiros positivos para garantir um crescimento sustentável", disse o presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos Oliveira

Para executivos da Ford, o mercado nos EUA deve continuar apático no próximo ano e a economia só vai se recuperar de modo significativo em 2010. A Ford tem US$ 26,6 bilhões em caixa disponíveis, US$ 10,8 bilhões a menos que em 2007, mas o suficiente para sustentar a reestruturação. "Temos o plano correto para reagir a essas mudanças no ambiente de negócios e começar a crescer novamente por um longo período", disse Alan Mulally, diretor-presidente da empresa. As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Cleide Silva

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