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Pela primeira vez, um carro desenvolvido e produzido pela Ford na Europa chega às linhas de montagem do Mercosul cinco meses após o lançamento internacional. Normalmente, o prazo médio para início da produção em países emergentes variava de dois a três anos.

"Às vezes bem mais que isso", diz o presidente da Ford do Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira.

O novo Focus, com início de vendas em outubro, será feito na Argentina com 60% da produção destinada ao mercado brasileiro. O carro é exemplo da confiança depositada pela matriz na região da América do Sul, que tem registrado sucessivos lucros, enquanto nos EUA o grupo enfrenta grave crise, fechamento de fábricas e corte de pessoal.

"Fizemos um esforço enorme para trazer o Focus mais cedo para a região porque há um reconhecimento da matriz na necessidade de mantermos nosso nível de competitividade", diz o diretor de relações corporativas da Ford América do Sul, Rogelio Golfarb. O modelo utiliza uma plataforma de produção mundial conjunta para carros da Ford, Mazda e Volvo.

Oliveira lembra que o momento econômico brasileiro é positivo para o mercado de veículos mais caros, com produtos acima de R$ 50 mil. Esse segmento vendeu 130 mil carros no período de janeiro a julho, o equivalente a 11,5% do mercado total. Estão nessa categoria modelos como Honda Civic, Toyota Corolla, Chevrolet Vectra, Volkswagen Golf e Peugeot 307.

Para não perder tempo, a Ford decidiu lançar o novo Focus com motor 2.0 apenas na versão a gasolina, pois ainda trabalha no desenvolvimento do motor flex. A empresa preferiu também manter o modelo atual, em produção desde 2000, com motor 1.6 flex para atender a demanda de consumidores que não abrem mão da tecnologia bicombustível.

O novo Focus, com design totalmente reformulado, vai custar a partir de R$ 58.190 e terá versões hatch e sedã. O antigo é vendido a partir de R$ 45 mil. Entre as novidades tecnológicas da nova versão está um botão usado para ligar o carro sem uso da chave, mas desde que ela esteja no bolso ou bolsa do usuário. Se uma pessoa apertar o botão, mas estiver sem a chave, o carro não funciona.

Oliveira não vê com preocupação a desaceleração do mercado em agosto, quando as vendas caíram 15% em relação a julho. "No início do ano já prevíamos que o crescimento no segundo semestre seria menos acelerado". De janeiro a julho, as vendas de carros cresciam em média 30% ao mês e, em agosto, o ritmo baixou para 26%.

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