BRASÍLIA - O foco da crise externa se deslocou hoje dos Estados Unidos para a Europa, avaliou o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mario Mesquita. Ele também notou que o pacote de resgate do governo americano não dá garantias de que a crise terminará logo.

Segundo Mesquita, as repercussões da crise financeira "podem continuar por mais algum tempo", com desaceleração da economia mundial até 2010. Haverá, entretanto, conforme comentou, "desaceleração sem recessão", com algumas economias se recuperando a partir do ano que vem.

Ao detalhar previsões do Relatório Trimestral de Inflação de setembro, ele ponderou que, com o quadro de turbulências das últimas semanas, "não é muito razoável extrapolar como permanentes" as condições atuais. Ou seja, o cenário é muito obscuro e ele prefere ser cauteloso.

Para Mesquita, "o momento agudo da crise parece estar ocorrendo agora", mas ressalvou que há sugestão de um caminho para "alguma estabilização".

As notícias dessa manhã sobre dificuldades em instituições financeiras européias indicam que a crise está se deslocando para a Europa, segundo o diretor do BC, e é isto o que está gerando maior desconforto ao mercado.

O diretor deixou para comentar mais adiante, durante a entrevista que concede no momento, sobre as repercussões da crise na economia brasileira em 2009.

Nesta segunda-feira, os participantes nos mercados acionários refletem as notícias de que Bélgica, Holanda e Luxemburgo vão investir 11,2 bilhões de euros no belga-holandês Fortis e que o governo britânico assumiu o controle da financiadora imobiliária Bradford & Bingley.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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