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FMI tem agenda mais ampla e ambiciosa

Com uma agenda mais ampla e ambiciosa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) se transforma. A proposta de um novo esquema de taxação dos bancos, preparada para o Grupo dos 20 (G-20), é mais um sinal dessa mudança, atrelada à nova conformação dos mercados e do poder econômico.

AE |

Com uma agenda mais ampla e ambiciosa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) se transforma. A proposta de um novo esquema de taxação dos bancos, preparada para o Grupo dos 20 (G-20), é mais um sinal dessa mudança, atrelada à nova conformação dos mercados e do poder econômico. O G-20, formado pelas maiores potências desenvolvidas e em desenvolvimento, se firma como novo comitê executivo da economia mundial. As instituições multilaterais, como o Fundo e o Banco Mundial, têm de adaptar suas agendas, seu instrumental e seu funcionamento a essas novas condições. A inovação começou de fato antes da conversão do G-20,em 2008, em foro de chefes de governo. Até esse momento, havia operado apenas como foro ministerial, sem peso político. A crise iniciada em 2007, com o estouro da bolha de crédito, acelerou a mudança do jogo. As novas funções do FMI já ultrapassam o seu mandato original. O velho Fundo cuidava de cada cliente de forma separada, coletando informações e negociando empréstimos vinculados a programas de estabilização. Mesmo diante de problemas epidêmicos, como a crise da dívida externa, nos anos 80, a terapia era individual. A instituição sempre foi um importante centro de análise da economia internacional, mas seus serviços eram negociados com cada cliente. O novo Fundo deverá atuar em dois níveis. Continuará prestando assistência médica individual, com novos esquemas, como nos casos do México, da Polônia e da Colômbia, em 2008, e também com negociações de estilo tradicional, como ocorre, agora, no caso da Grécia. O governo grego deverá receber uma boa ajuda, provavelmente próxima de 15 bilhões, mas terá de se comprometer com um duro programa de ajuste. Mas o Fundo deverá trabalhar também no campo da saúde pública e do saneamento, supervisionando os mercados, contribuindo para entendimentos multilaterais e, diante do perigo, fazendo soar o alerta com razoável antecipação. Essa será, provavelmente, a parte mais complicada. Informação. Para cumprir a nova tarefa, o FMI terá de ampliar o conhecimento dos vínculos financeiros internacionais e dos mecanismos de transmissão de riscos. Precisará de informações para entender e avaliar os impactos das grandes instituições financeiras. Será necessário, disse o diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn, tornar obrigatório o Programa de Avaliação do Sistema Financeiro para os países com setores financeiros "sistemicamente importantes", isto é, capazes de produzir estragos internacionais em casos de crise. Falando em nome do Brasil e de outros oito países, o ministro Guido Mantega se opôs à obrigatoriedade desse exercício de análise e da publicação de suas conclusões. É errado, segundo ele, impor a todos os países novas obrigações por causa de uma crise iniciada no mundo rico. Mas Strauss-Kahn falou sobre setores financeiros "sistemicamente importantes". Falta ver se o brasileiro se enquadra aí. Uma lição chave proporcionada pela crise foi o amplo efeito de riscos aparentemente localizados, comentou Strauss-Kahn. Por isso é necessário dar ênfase à supervisão multilateral. "A supervisão bilateral continuará um pilar essencial, mas é preciso ligar as perspectivas bilateral e multilateral", acrescentou. O Fundo deverá cumprir seu novo papel em cooperação com o Comitê de Estabilidade Financeira, formado por dirigentes de bancos centrais de todos os países do G-20, e com o Banco de Compensações Internacionais, de Basileia, a fonte tradicional de normas para o setor bancário. Todas essas instituições já colaboram na definição das novas normas para as instituições financeiras. O estudo sobre novas taxas para os bancos, preparado pelo FMI, é um complemento desse trabalho. A proposta foi preparada por encomenda dos chefes de governo do G-20. Mas Brasil, China, Rússia, Índia e Canadá, membros do grupo, rejeitaram a ideia de novos tributos obrigatórios para todos os países. Seus sistemas bancários, argumentaram, já são fortemente regulados e tributados e não foram responsáveis pela crise. Mas Strauss-Kahn insiste na conveniência das taxas, destinadas não a compensar os governos pelos gastos da última crise, mas a criar colchões de segurança para as próximas e a reforçar a prevenção. O FMI precisará de um novo mandato, mais amplo, para suas funções mais ambiciosas. Essa inovação será parte de uma reforma iniciada antes da crise. A mudança inclui a redistribuição de cotas e votos a favor das economias em desenvolvimento, a mudança dos critérios de seleção da gerência e a revisão dos padrões de administração. Tudo isso, no jargão corrente entre dirigentes e técnicos do Fundo, incluído Strauss-Kahn, é parte de um esforço de renovação operacional e de reforço da legitimidade da instituição. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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