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FMI recomenda ajuste fiscal de 6% nos países ricos

GENEBRA - Países como os Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, Irlanda, Espanha e Grécia precisarão cortar despesas ou aumentar a arrecadação numa média de 6% ao ano nos próximos 20 anos para equilibrar suas finanças, num gigantesco esforço fiscal. É a conclusão de economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontam o peso do alto endividamento público e envelhecimento da população.

Valor Online |

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Para voltarem a um nível de sustentabilidade da dívida equivalente a 60% do PIB, países desenvolvidos do G-20, que reúne as maiores economias, serão forçados a um ajuste fiscal primário (excluindo pagamento de juros), que passariam de deficit de 3,5% do PIB em 2010 para superavit de 4,5% em 2020. Esse superavit deveria ser mantido até 2030.

Para economistas do Banco Mundial e do FMI, o tamanho desse ajuste não é improcedente, apesar de evidentemente problemático também do ponto de vista político.

Já para a maioria dos emergentes do G-20, o que inclui o Brasil, o mesmo ajuste não será necessário, já que seus débitos são bem menores - 40% do PIB em 2010 comparado a 107% para os desenvolvidos do grupo. O superavit fiscal primário no Brasil, por exemplo, foi de 2,1% do PIB em 2009.

Para economistas do Banco Internacional de Compensações (BIS), espécie de banco dos bancos centrais, o problema fiscal que as economias industrializadas enfrentam é de fato bem maior do que as cifras oficiais indicam e tem consequências graves para a economia mundial.

A dívida do setor público de países industrializados, ao superar os 100% do PIB em 2010, alcança um patamar nunca visto em tempos de paz. E isso sem que os governos levem em conta em suas projeções orçamentárias as despesas com o envelhecimento da população, segundo Stephen Cecchetti, diretor da Área Monetária do BIS, e os técnicos M. S. Mohanty e Fabrizio Zampolli.

A situação é ainda mais preocupante, porque, primeiro, os países ricos sofrerão uma " perda permanente " do potencial de produção, no rastro da recessão global, e isso significa menos receita fiscal. E enquanto o desemprego estiver alto e empresas subutilizadas, maior será a economia informal, que não paga impostos.

Mais inquietante é que a política fiscal expansionista coincidiu com a alta dos gastos relacionados ao envelhecimento da população. A população idosa em relação àquela em idade de trabalhar vai crescer rapidamente, sobretudo no Japão, Espanha, Itália e Grécia, que já enfrentam gigantescas dívidas. A alta de custos de cuidados da saúde pode dobrar para 10% do PIB nos EUA.

Outra constatação: até recentemente, os governos conseguiam rolar suas dívidas com taxas de juros próximas de zero. A situação mudou recentemente, com elevação das taxas dos bônus de longo prazo de vários países industrializados, indicando que os mercados não consideram mais seus títulos como sendo de baixo risco.

O alto endividamento público deve diminuir a acumulação de capital, frear o aumento da produtividade e o potencial de crescimento econômico no longo prazo. Complica a gestão da política monetária e traz a ameaça de maior inflação.

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