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A economia brasileira crescerá 5,5% neste ano e 4,1% no próximo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), com inflação média de 6,2% e 5,9%. A demanda é mais forte que em outros países da América Latina e o limite de capacidade está mais próximo, disse a chefe de pesquisa da Divisão de Estudos da Economia Mundial, Petya Koeva Brooks.

A economia brasileira crescerá 5,5% neste ano e 4,1% no próximo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), com inflação média de 6,2% e 5,9%. A demanda é mais forte que em outros países da América Latina e o limite de capacidade está mais próximo, disse a chefe de pesquisa da Divisão de Estudos da Economia Mundial, Petya Koeva Brooks. Por isso, acrescentou, espera-se a retirada de estímulos monetários e fiscais. Isso explica o menor crescimento projetado para 2011. Mesmo assim, os novos números são maiores que os estimados em janeiro, quando as previsões eram de 4,7% e 3,7%.

A expansão da economia será acompanhada de piora nas contas externas. O déficit em conta corrente ficou em 1,7% e 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos dois anos. Chegará a 2,91% neste e no próximo, de acordo com estimativas publicadas no Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), apresentado ontem pelo economista-chefe, Olivier Blanchard, e líderes de sua equipe.

A conta corrente do balanço de pagamentos é a soma da balança comercial de mercadorias, da balança de serviços (onde entram viagens, fretes, seguros, lucros e juros) e das transferências unilaterais (como remessas de trabalhadores). No Brasil, a primeira e a terceira são superavitárias, mas o balanço de serviços é fortemente negativo. Quando há buraco na conta corrente, o resultado é coberto por investimento estrangeiro, financiamentos ou perda de reservas.

O crescimento brasileiro deve ser puxado neste ano pelo consumo privado e pelo investimento, segundo o Panorama. Na seção sobre América Latina, só o Brasil é citado, quando há referências ao risco de forte aquecimento econômico e preocupações com a dívida pública. Com a recuperação ganhando impulso, a política monetária deve tornar-se menos folgada na América Latina. Também nesse caso o Brasil se diferencia. No grupo daqueles com regime de metas de inflação, o País poderá ser o primeiro a iniciar um aperto.

Reservas

Os autores do relatório admitem, no entanto, um argumento a favor da manutenção de juros baixos, apesar das demais considerações econômicas: taxas mais altas podem atrair capitais especulativos. Algumas economias latino-americanas já receberam volumes consideráveis em papéis internos e títulos oficiais. A reação de alguns países foi acumular reservas, deixar a moeda nacional valorizar-se e eventualmente introduzir controles de capitais.

A única forma de controle ensaiada pelo governo brasileiro foi um imposto, quando a cotação do dólar ameaçou ficar abaixo de R$ 1,70, mas o relatório não entra nos detalhes de cada país. A melhor resposta dependerá da situação de cada um - e o aperto das contas públicas, lembram os autores do Panorama, pode ajudar.

A América Latina e o Caribe enfrentaram bem a crise e estão numa firme recuperação, segundo o relatório. “Mais equilibrado que em muitas outras áreas, o crescimento na região é sustentado tanto pela demanda externa quanto pela interna.” Os governos adotaram políticas antirrecessão, vários países foram favorecidos pelos preços das matérias-primas e os bons fundamentos econômicos estão ajudando as economias a atrair capitais. A referência a “bons fundamentos” - contas públicas em ordem, inflação baixa e contas externas administráveis - seria inimaginável, há alguns anos, na seção sobre a América Latina. As exceções são a Venezuela, com inflação alta e crescimento baixo, e a Argentina, com as estatísticas postas em dúvida.

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