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FMI prepara plano regulatório global

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, revelou ontem que a instituição prepara uma estratégia regulatória global que será levada à Cúpula de Washington sobre a reforma do sistema financeiro, em 15 de novembro. O ex-ministro da Economia francês disse ainda acreditar que a volatilidade das bolsas em todo o mundo vai se reduzir em curto prazo e informou que o fundo participou dos programas de socorro criados na Europa para recapitalizar os bancos, há 20 dias.

Agência Estado |

As revelações foram feitas em uma de suas raras entrevistas exclusivas, ao jornal Le Monde. Segundo Strauss-Kahn, a estratégia regulatória global tem como objetivo pôr fim às bolhas que prejudicam a economia real. O plano prevê cinco medidas: uma nova linha de empréstimos de curto prazo, já anunciada na quarta-feira; o aumento dos recursos do FMI, proposto pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown; um relatório sobre medidas para prevenção de bolhas, solicitado por 185 países; a criação e a supervisão de novas normas de regulação financeira, elaboradas pelo Fórum de Estabilidade Financeira; e, finalmente, a mudança de status do fundo, que passaria a elaborador de políticas, em vez de instrumento de socorro em tempos de crise.

Strauss-Kahn elogiou as propostas de Gordon Brown e do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que defendem a revisão do tratado de Bretton Woods, de 1944. "Gordon Brown tem razão em querer reformar a arquitetura financeira mundial. É preciso que o papel coordenador da regulação mundial seja reafirmado, como propõe Sarkozy. Por isso vamos propor ao G-20 (grupo de países mais industrializados) um plano de uma nova governança, que chamamos de estratégia de regulação global."

O diretor-gerente disse também acreditar que a instabilidade nas bolsas mundiais terá fim em curto prazo, mas não quis estimar uma data. "Tenho esperança de que essa volatilidade se acalme porque os planos financeiros americano e europeu são sólidos." Segundo Strauss-Kahn, diante da crise de liquidez e de solvência de instituições bancárias e seguradoras vivida nos Estados Unidos e na Europa entre setembro e outubro, "é preciso um pouco de tempo para que as medidas estejam em pleno funcionamento".

Os planos que o diretor-gerente elogia tiveram, assegura, participação direta das equipes do FMI. A afirmação foi uma resposta às críticas feitas ao silêncio e à suposta inércia do fundo no auge da turbulência. "Nós martelamos nossas recomendações. Antes de mais nada, defendemos o fim das medidas isoladas e a criação de um plano global. A seguir, a recapitalização dos bancos, porque só injetar liquidez poderia não funcionar", conta. "Até o meio de setembro, a eficiência pedia a discrição."

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