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Por Alan Wheatley TOYAKO, Japão (Reuters) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alertou na quarta-feira que é difícil saber até onde vai a atual crise financeira global devido à incerteza sobre o mercado imobiliário norte-americano.

'A certeza é que as consequências da crise financeira para o setor real ainda estão a nossa frente' disse Strauss-Kahn à Reuters, acrescentando que o FMI também está razoavelmentepessimista com as perspectivas para o crescimento global em 2008 e especialmente em 2009.

Mas em uma entrevista coletiva posterior ele afirmou que a inflação, já descontrolada em alguns países, é mais preocupante do que a desaceleração do crescimento.

'Nos países desenvolvidos, os Bancos Centrais levaram (a inflação) em conta e têm a política monetária correta. Nos países emergentes e em alguns países de baixa renda, ao menos em alguns deles, a inflação está fora do controle. Isso significa que a política monetária provavelmente terá de ser endurecida nas próximas semanas ou meses.'

De acordo com o francês, as décadas de 1970 e 80 ensinaram que a inflação pode durar anos ou mesmo décadas, caso os governos e BCs tomem decisões equivocadas.

'Por isso é importantíssimo hoje --e assim faz o FMI-- chamar a atenção para esta questão', disse ele.

Na entrevista, ele reafirmou a opinião do FMI de que o dólar está próximo de estabilizar sua cotação de médio prazo diante de uma cesta de moedas de seus parceiros comerciais das Américas.

'O euro está provavelmente ligeiramente valorizado, enquanto outras moedas, como o renminbi (da China), estão obviamente subvalorizadas', avaliou.

Embora admitindo que os EUA precisariam melhorar suas exportações para contrabalançar o enfraquecimento da demanda interna, Strauss-Khan lembrou que a taxa de câmbio competitiva não é o único fator a estimular as exportações.

'Os preços são importantes, é claro, mas a qualidade, o serviço e outras coisas que acompanham as exportações são cada vez mais importantes. Não é só uma simples questão mecânica da taxa de câmbio.'

CHINA

As relações entre a China e o FMI estão abaladas desde que o Fundo adotou novas regras, em junho de 2007, para avaliar se um país administra sua taxa de câmbio de modo a estimular artificialmente suas exportações.

Pequim viu nisso uma manobra em nome dos EUA, que fazem campanha declarada pela valorização do yuan chinês. A polêmica acabou levando o FMI a adiar a conclusão do seu relatório de 2007 sobre a China.

Strauss-Kahn disse que tal avaliação será incluída no relatório deste ano, a ser discutido no final de agosto ou começo de setembro pela direção do Fundo.

'Tenho dito repetidamente que o renminbi estava significativamente desvalorizado, e a direção fará seus próprios comentários dentro de seis ou sete semanas', disse o diretor-gerente.

Pequim teme que um diagnóstico de desvalorização aguda da moeda leve o FMI a adotar sanções comerciais contra o país.

O yuan, também chamado de renminbi, subiu mais de 20 por cento frente ao dólar desde que o governo chinês abandonou o sistema de bandas cambiais, em julho de 2005. Diante de outras moedas, a desvalorização do yuan foi bem menor.

Strauss-Kahn disse que as discussões do FMI com a China giram em torno da velocidade com que o yuan deve ser valorizado.

'As autoridades chinesas estão bastante conscientes do fato de que é do interesse deles mexer na taxa de câmbio --revalorizar a taxa real de câmbio. Eles estão enfrentando uma inflação elevada e outras consequências indesejadas desta taxa de câmbio desvalorizada. Mas é claro que não é fácil [valorizar]. Todos temos de entender que essa medida precisa ocorrer, mas ocorrer progressivamente.'

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