César Muñoz Acebes. Washington, 21 abr (EFE).

César Muñoz Acebes. Washington, 21 abr (EFE).- A economia mundial superou as expectativas e crescerá 4,2% este ano, empurrada pelos mercados emergentes, mas para que o crescimento seja sustentável é necessário um grande ajuste fiscal e cambial, disse hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI). "A recuperação mundial foi mais forte que o esperado e a atividade está voltando em ritmos diferentes: de forma mais fraca em muitas economias avançadas, mas com mais força na maioria das emergentes", disse o FMI no relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais", divulgado hoje. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que essa recuperação continue, com a Ásia à frente, seguida pela América Latina, onde a economia brasileira despontou. O FMI elevou a sua projeção do crescimento da economia do Brasil para 5,5%, oito décimos do calculado em janeiro. Em janeiro, o Fundo tinha previsto um crescimento da economia brasileira de 4,7 % em 2010 e 3,7% em 2011. A economia do Brasil cresceu 5,1% em 2008 e se contraiu 0,2% em 2009, segundo os números do FMI. A instituição multilateral calcula que em 2011 o Produto Interno Bruto do Brasil crescerá 4,1%. A região da América Latina e o Caribe terá um crescimento econômico conjunto de 4% este ano e o seguinte graças ao forte puxão no Cone Sul, embora a Venezuela e os países caribenhos fiquem à retaguarda. O FMI chamou de "robusto" o crescimento na região, considerada mais equilibrada que o resto do planeta por se basear em uma demanda tanto externa como interna. Em nível mundial o crescimento de 4,2% para este ano supõe uma revisão de três décimos para cima com relação ao cálculo do FMI em janeiro, e acredita-se que em 2011 esse número deve passar para 4,3%. "Nos encontramos em uma nova fase da crise. Evitamos uma depressão mundial", comemorou Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional. Mas a disparidade nas taxas de crescimento faz com que a recuperação tenha pés de barro e para dotá-la de alicerces mais robustos é preciso um movimento tectônico na estrutura econômica do planeta, a julgamento do FMI. Em primeiro lugar, os países desenvolvidos têm que pensar agora na contenção do déficit para evitar "uma explosão de dívida", segundo Blanchard. A economia do Governo reduzirá a demanda interna e suas economias deverão se readequar para fomentar a exportação, um processo que inclui uma depreciação de suas moedas, em particular o dólar e o euro, de acordo com o FMI. Os países em desenvolvimento terão que fazer o contrário: permitir a valorização de suas moedas, consumir mais e exportar menos, especialmente no caso da China. Esse é basicamente o modelo com que o G20 concordou em sua reunião presidencial de Pittsburgh em setembro e que os ministros de economia do Grupo revisarão na sexta-feira em reunião em Washington. O que ocorreu nos meses que passaram desde então é uma entrada em massa de capital em alguns mercados emergentes, que poderia alimentar bolhas financeiras, por isso o FMI recomenda também uma apreciação da taxa de câmbio nos países receptores. Em seu relatório, o organismo cita como o principal risco para a recuperação mundial que a inquietação nos mercados sobre a capacidade da Grécia de pagar sua dívida se transforme em uma crise de dívida soberana "contagiosa". O Fundo Monetário e a União Europeia negociam atualmente com o Governo de Atenas os parâmetros de um programa de vários anos, que deve proporcionar entre 40 e 45 bilhões de euros ao país este ano. Dado fraco avanço dos países avançados, a receita do Fundo é manter as taxas de juros baixas e os programas de estímulo durante este ano, exceto nas nações que já sentem as pressões do mercado para tomar medidas contra o déficit. Em todo caso, em 2011 o ajuste será inevitável. O FMI pediu planos claros aos Governos de como e quando reduzirão a dívida, e sugeriu elevar a idade de aposentadoria e reduzir o custo dos sistemas de saúde públicos. Ao mesmo tempo, o desemprego seguirá sendo um problema, pois se manterá na casa dos 9% em média nos países avançados no próximo ano e diminuíra gradualmente. O FMI recomendou "flexibilidade salarial", um eufemismo para reduções de salários, dar uns benefícios "adequados" para o desemprego e levar a cabo programas de formação para os desempregados. EFE cma/pb
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