Tamanho do texto

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, acredita que os mercados financeiros vão refletir as medidas anunciadas neste domingo na Europa. Após reunião do Conselho de Desenvolvimento do Banco Mundial (Bird), os executivos do Bird e do FMI destacaram que passos concretos foram tomados para lidar com as questões urgentes da crise financeira internacional, como ampliação de uma linha para ajudar a recapitalizar bancos nos países emergentes, aumento de uma cadeira no Conselho do Banco Mundial para a África e aumento do poder de voto para os países em transição (aqueles em transição para economia de mercado).

O diretor-gerente do FMI voltou a assegurar que está pronto para ajudar seus membros.

Sobre o plano que injetará bilhões na Europa, Strauss-Kahn afirma que foi um passo na direção certa. "Por meses, estamos pedindo por ação coordenada. Quase todos os países avançados estão agora cobertos por planos". O executivo pondera que o plano europeu também é de abordagem ampla. O FMI, lembra ele, argumentava que uma ação fragmentada não era a correta. Com planos anunciados em grande parte das economias avançadas, Strauss-Kahn acredita que a ação coordenada "vai funcionar". "Acredito que agora temos resposta ampla à crise e que o mercado vai refletir isso", afirmou hoje durante entrevista na sede do FMI, em Washington.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, destaca o fato de que o encontro anual acontece em momento crítico para os mercados. "Esta foi uma catástrofe feita pelo homem", afirmou. "O encontro ocorre no meio da maior crise que nós já enfrentamos", concordou o dirigente do FMI, para destacar que "a crise financeira adiciona uma crise a outra. "A crise financeira se soma à crise de preços de combustíveis e alimentos. Para alguns países soma-se ainda ao furacão, como no Caribe, por exemplo o Haiti."

Por isso, os representantes do Conselho de Desenvolvimento do Bird destacaram a necessidade de proteger da turbulência dos mercados os países mais vulneráveis, o que exige coordenação maior também entre o FMI e o Banco Mundial. "Os acontecimentos de setembro e outubro mostraram que precisamos modernizar o bilateralismo (entre FMI e Bird) e o mercado para um nova economia mundial", reconheceu Zoellick. "Os arquitetos de Bretton Woods estabeleceram os fundamentos para o futuro. Agora, precisamos de ação global para nova arquitetura, novas normas e nova supervisão para garantir que esta crise não ocorra novamente", acrescentou o presidente do Banco Mundial.

Do lado do FMI, Strauss-Kahn reiterou que o Fundo está pronto para ajudar. "O Fundo tem os recursos para fazer isso, tem US$ 200 bilhões, tem os instrumentos e reforçou a linha de choques externos e estamos no processo de fazer uma nova linha para liquidez", enumerou durante a entrevista.

Recursos disponíveis

O Conselho de Desenvolvimento do Banco Mundial ratificou seis pontos na reunião deste domingo. Entre eles, o Banco Mundial reiterou a disponibilidade de uma linha de financiamento rápido no valor de US$ 1,2 bilhão para ajudar países a lidarem com o avanço dos preços de alimentos. Deste montante, US$ 850 milhões já estão aprovados ou em fase de aprovação. Outro ponto é que o Bird se diz confortável para duplicar os empréstimos anuais para os países em desenvolvimento. No último ano fiscal foram emprestados US$ 13,5 bilhões. Ainda, o Comitê de Desenvolvimento pede que o braço privado do Banco Mundial, o IFC, ajude a recapitalizar os bancos nos países em desenvolvimento afetados pela crise de liquidez, incluindo a possibilidade de um fundo.

A ampliação de uma linha do Banco Mundial para recapitalizar bancos está sendo feita por intermédio do IFC, o braço privado da instituição. "Já começamos a ver estresse em algumas instituições financeiras dos países em desenvolvimento", reconheceu Zoellick. O IFC investe em instituições financeiras de países dos mercados emergentes, trabalhando para tornar crédito disponível para os bancos que o Banco Mundial tem investido. A linha, continuou Zoellick, está sendo ampliada "para mais de US$ 1 bilhão e pode chegar a US$ 1,5 bilhão. Isto é crítico, pois falamos em desaceleração e os países em desenvolvimento precisam ter acesso para o crédito de curto prazo para exportação e importação. Então estamos ampliando esta linha", observou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.