FMI e Banco Mundial tentam acalmar tensões cambiais

Por Leika Kihara e Lesley Wroughton

WASHINGTON (Reuters) - Os líderes mundiais precisam acalmar as tensões globais antes que elas piorem, para evitar uma repetição dos erros da Grande Depressão, disse o presidente do Banco Mundial nesta quinta-feira.

O espírito da cooperação econômica global, forjado em 2008 durante os piores dias de crise financeira, está enfraquecendo conforme a recessão dá lugar a uma recuperação desigual e com solavancos, afirmou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Temores de uma guerra mundial de comércio e câmbio, que foram alguns dos principais pontos da Grande Depressão, estão nas agendas das reuniões do FMI e do Banco Mundial deste fim de semana e também devem estar na pauta do encontro do G7 na sexta-feira.

Essas reuniões devem intensificar as discussões sobre os esforços para pressionar a China a deixar sua moeda subir e evitar que outros emergentes controlem os fluxos de capital conforme o dólar enfraquece.

"Se deixarmos isso virar um conflito ou formas de protecionismo, então corremos o risco de repetir os erros da década de 1930", afirmou o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, em entrevista coletiva.

Ele acrescentou que a história mostra que políticas protecionistas não funcionam, e sugeriu que fóruns internacionais, como o FMI e a Organização Mundial do Comércio podem ajudar nas tensões cambiais antes de elas se tornarem mais prejudiciais.

O Japão interveio para enfraquecer o iene no mês passado pela primeira vez em seis anos e vários países emergentes estão adotando medidas para evitar que suas moedas subam muito rapidamente.

CHINA EM FOCO

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que é lamentável diminuir a cooperação global.

"Eu acho que é justo dizer que o ímpeto não está sumindo, mas diminuindo, e que isso é uma ameaça real", alertou ele em outra entrevista coletiva.

"Todos temos que ter em mente o mantra de que não há solução doméstica para uma crise global."

Strauss-Kahn disse não gostar da noção de que há uma "guerra cambial" porque esse termo é "muito militar", mas ressaltou que "é justo dizer que muitos consideram suas moedas uma arma e isso certamente não é bom para a economia global".

Em entrevista ao jornal Le Monde desta quinta-feira, Strauss-Kahn havia apontado a política cambial da China como um ponto principal nos esforços para reequilibrar a economia global.

Strauss-Kahn afirmou que ter uma maior voz no FMI, como querem as grandes economias emergentes como a China, é algo que vem com uma maior parcela de responsabilidade na economia global.

"Se você quer estar no centro do sistema... isso caminha com ter mais responsabilidade no sistema", afirmou.

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