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FMI e Banco Mundial preparam conferência sobre crise financeira

Teresa Bouza.

EFE |

Washington, 5 out (EFE) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) iniciarão, amanhã, os últimos preparativos dos atos prévios à sua conferência anual, realizada no próximo final de semana em Washington, que será dominada pela atual crise financeira internacional.

A crise, desencadeada com a falência do banco de investimento Lehman Brothers, provocou uma intervenção em massa do Governo dos Estados Unidos juntamente com várias instituições dos dois lados do Atlântico, propiciando a atuação sincronizada de bancos centrais e destacando a interconexão dos mercados globais.

Essa interdependência levou um número crescente de analistas a insistirem na necessidade de uma resposta internacional mais ampla que vise não só a extinguir os atuais focos, mas também a reconstruir e manter o mercado de capitais a longo prazo.

Juntamente com essa reivindicação, abriu-se novamente o eterno debate sobre o papel do FMI em situações de emergência.

Jeffrey Garten, professor da Universidade de Yale, é um dos que propõem maior cooperação internacional, mas descarta que o FMI possa levantar o estandarte do processo.

"O FMI é irrelevante nesta crise", disse Garten em artigo recente no jornal "Financial Times".

Para o analista, o Grupo dos Sete (G7, sete nações mais ricas do mundo), que também se reunirá em Washington dentro da conferência entre o FMI e o BM, "não tem legitimidade em um mundo no qual China, Brasil e outros (que não são membros) são grandes atores".

Garten não acredita que o Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês), com sede em Basiléia (Suíça), ou o Federal Reserve (Fed, banco central americano) também possam cumprir o papel e propõe a criação de uma autoridade monetária global.

Este organismo supervisionaria as atividades regulatórias em nível nacional com mais firmeza do que o FMI e implementaria um número limitado de regulações em nível global.

"Se esta crise não ressalta a necessidade de um novo papel para o FMI, então não sei do que precisamos", disse à Agência Efe Colin Bradford, analista do centro de estudos Brookings Institution (Washington).

Bradford destacou que o FMI se transformará, esta semana, em um grande fórum de discussão, mas reiterou que essa função deveria ser reforçada para poder convocar reuniões extraordinárias dos presidentes dos bancos centrais e ministros de Finanças, caso seja necessário.

Segundo Bradford, esses encontros também poderiam incluir o setor privado e deveriam permitir que o FMI tenha um protagonismo regulador e supervisor.

O analista considerou que outra opção seria criar um grupo mais reduzido dentro do FMI que atuasse com a agilidade que a atual situação requer.

Bradford acrescenta que é imprescindível que a Ásia, cujo peso na economia global e nos mercados internacionais é cada vez maior, "faça parte das discussões".

Para David Wyss, economista-chefe da agência de classificação de risco Standard & Poor's, "é evidente que, à medida que os mercados se tornam cada vez mais e mais globais, é necessária uma regulação coordenada em nível mundial".

Wyss espera que esse seja um dos temas de debate durante a próxima conferência conjunta entre FMI e BM, que acontece poucos dias depois de o Congresso dos Estados Unidos aprovar um plano de resgate que permitirá ao Governo adquirir os "ativos podres" que desestabilizaram as instituições financeiras por US$ 700 bilhões.

"A aprovação desta lei ajuda e permitirá desbloquear os mercados de créditos", disse Wyss, que acredita que é a Europa quem está em apuros agora.

O economista antecipou que boa parte das discussões dos ministros de Finanças e dos presidentes de bancos centrais que se reunirão em Washington girará em torno das atuais turbulências nos mercados e em como impedir que suas ondas sigam se expandindo. EFE tb/wr/db

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