César Muñoz Acebes Washington, 17 jul (EFE).- A América Latina suportará bem a crise financeira e manterá um alto nível de crescimento durante o ano embora o perigo da inflação seja enorme, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que hoje elevou suas previsões de crescimento mundial.

"A América Latina continua crescendo bem rápido em relação à média histórica", disse em coletiva de imprensa Charles Collyns, o subdiretor do departamento da América Latina dessa entidade.

O FMI elevou em um 0,1 ponto percentual sua previsão de crescimento para a região para este ano, para 4,5%, graças a um primeiro trimestre mais robusto do que o previsto.

Ocorrerá uma freada brusca no ano que vem, quando o Produto Interno Bruto (PIB) latino-americano só terá 3,6% de aumento, devido a uma menor demanda externa de seus produtos e aos efeitos da alta das taxas de juros, como explicou Collyns.

Segundo o FMI, a grande ameaça enfrentada na região não é a desaceleração econômica, mas a alta dos preços.

Collyns afirmou que "o pior que poderia ocorrer é que a inflação escapasse do controle", pois obrigaria os bancos centrais a elevar as taxas de juros bruscamente, o que afogaria a atividade econômica.

Por isso, a recomendação do organismo é que o valor monetário seja elevado gradativamente a partir de agora para atenuar o contágio da escalada de preço da energia e dos alimentos para os demais produtos.

Não é um problema apenas latino-americano, mas as altas dos preços são uma ameaça que ganharam força em nível mundial desde abril, enfatizou o economista-chefe do FMI, Simon Johnson.

Mesmo assim, o FMI elevou em 0,4 ponto percentual sua previsão de crescimento para o planeta este ano, para 4,1%, enquanto em 2009 será de 3,9%, 0,1 ponto percentual a mais que seu cálculo anterior.

O maior beneficiário das mudanças foram os Estados Unidos, cuja economia crescerá este ano 1,3%, 0,8 ponto percentual a mais em relação ao número adiantado pelo FMI há três meses.

Com isso, suas previsões condiziam com as do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que esta semana estimou que o PIB para este ano cairá entre 1% e 1,6%.

Para 2009, no entanto, as duas instituições discordam, pois o banco central prevê um crescimento de entre 2% e 2,8%, enquanto o FMI aposta em 0,8%, após elevar hoje seu cálculo em 0,2 ponto percentual.

Johnson justificou a melhora das previsões em nível mundial porque a ducha de água fria da crise financeira afetou negativamente a economia menos do que estava previsto.

Conseqüentemente, tanto os EUA como a Europa, com a ressalva da Espanha, cresceram no primeiro trimestre deste ano mais do que tinha sido antecipado.

O México sentirá a melhora da situação em seu vizinho do norte e seu PIB se expandirá este ano em aproximadamente 2,4%, 0,4 ponto percentual a mais que o calculado pelo FMI em abril.

Nesse clima menos pessimista, o Brasil teria um crescimento de 4,9% segundo as projeções do FMI.

A maior economia da região "vai muito bem", segundo Collyns, que disse que as elevações dos juros pelo Banco Central mantiveram as expectativas inflacionárias "sob controle".

Para a maioria dos principais países emergentes, o FMI também aumentou levemente suas previsões de crescimento.

Já o PIB da zona do euro aumentará este ano 1,7%, 0,3 ponto percentual a mais que o que tinha sido calculado pela entidade há três meses, que deixou sem alterações sua previsão para 2009, que se situou em 1,2%.

Apesar da melhora de seus cálculos em geral, Johnson ressaltou que a situação econômica é "mais complicada" que em abril, porque a escalada do petróleo e dos alimentos gera um gigantesco perigo de alta dos preços.

A alta deixou os bancos centrais no dilema "entre tentar responder ao arrefecimento econômico e conter a inflação", explicou Johnson.

Por enquanto, a receita do FMI para os países industrializados é manter as taxas de juros sem mudanças, mas atentos para elevar o valor monetário assim que se intensificarem os sinais inflacionários.

Segundo o FMI, por outro lado as economias emergentes deveriam atualmente elevar o valor do crédito para evitar uma queda nos preços. EFE cma/bm/rr

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