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FMI disponibiliza US$ 100 bi a Brasil e países com avaliação positiva

César Muñoz Acebes.

EFE |

Washington, 29 out (EFE) - O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) criou hoje um programa que contará com um fundo de US$ 100 bilhões para fornecer empréstimos de emergência sem condições a países com boas políticas econômicas, mas com problemas de liquidez.

O mecanismo colocará à disposição dos Governos que recebam o sinal verde créditos em um máximo de 500% da parcela que esses têm alocada no Fundo, como ajuda a curto prazo para superar a crise econômica.

Isso significa que Brasil poderá obter mais de US$ 23,2 bilhões, México, US$ 24,1 bilhões, e Coréia do Sul, quase US$ 22,4 bilhões.

Estes números, embora altos, são muito inferiores às próprias reservas desses países.

No entanto, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, defendeu o papel da entidade como um "catalisador" que atrairia dinheiro de outras fontes, como ocorreu com o pacote de ajuda estendido à Hungria, ao qual contribuíram o Banco Mundial (BM) e a União Européia (UE).

A Hungria, no entanto, é um dos países que muito provavelmente não terão acesso ao novo programa do Fundo, batizado de Empréstimos de Liquidez a Curto Prazo (SLF, em inglês), pois o eixo fundamental da nação é um histórico de boa gestão econômica com ausência de desequilíbrios no setor externo.

Para poder receber os créditos, o Governo deve ter recebido uma avaliação "muito positiva" do FMI na revisão anual de sua economia, conhecida como Artigo IV.

Strauss-Kahn disse expressamente que a Argentina não poderá ter acesso ao novo programa, pelo qual poderia ter captado quase US$ 1,62 bilhão, já que o Governo argentino se recusa a se submeter a essa revisão desde meados de 2006.

Ao contrário dos programas tradicionais do Fundo, os Governos que obtiverem estes créditos não deverão cumprir uma série de metas e realizar reformas estruturais.

"Não haverá condições", disse Strauss-Kahn.

Para captar o dinheiro, os países devem contar com um nível de dívida sustentável, boa política fiscal e monetária, e um balanço por conta corrente saudável, explicou um alto funcionário do FMI, que pediu para não ser identificado.

Os empréstimos serão a três meses e poderão ser renovados duas vezes em um período de um ano.

O FMI dedicará US$ 100 bilhões ao programa, a metade do dinheiro que tem em seus cofres atualmente, e se chegasse a desembolsar todo esse valor, revisaria os parâmetros do programa, segundo o alto funcionário.

O novo programa é similar à chamada Linha de Crédito de Contingência (CCL, em inglês), criada pelo Fundo após a crise asiática de 1997 para dar liquidez a países bem administrados.

No entanto, nenhum Governo pediu esse mecanismo de seguro pelo temor de que o mercado o interpretasse como um sinal de que tinha problemas.

John Lipsky, o vice-diretor-gerente do Fundo, disse que a CCL era um método "complicado de usar", ao contrário do novo programa.

Para se qualificar para a CCL, o país precisava cumprir uma lista muito detalhada de condições, enquanto os requisitos neste caso serão mais flexíveis, segundo Strauss-Kahn.

Além disso, um Governo poderá pedir os empréstimos de maneira confidencial quando precisar, em vez de passar por um processo de aprovação prévia, como no caso da CCL.

Há anos o Brasil pedia ao FMI a criação de um programa de empréstimos sem condições voltado a países com boas políticas econômicas.

Hoje, o país recebeu outra boa notícia com o anúncio do Federal Reserve (Fed, autoridade monetária dos Estados Unidos) de que criará um mecanismo para trocar até US$ 30 bilhões por reais com o Banco Central (BC) para aumentar a liquidez internacional.

O Fed faz esse tipo de operações com as autoridades monetárias de países avançados, mas agora as ampliará a México, Cingapura e Coréia do Sul, além de ao Brasil.

O FMI ressaltou que essa iniciativa americana compartilha o objetivo de seu novo programa de facilitar o acesso a dólares a economias "com bases saudáveis e bem administradas". EFE cma/db

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