Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

FMI defende intervenção enérgica dos Governos em casos de crise

César Muñoz Acebes Washington, 18 set (EFE).- O vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, recomendou hoje uma intervenção pública em grande escala como forma de estabilizar os mercados financeiros.

EFE |

Além disso, o número dois da entidade multilateral de crédito defendeu a criação de uma agência nos Estados Unidos que assuma as dívidas de má qualidade dos bancos do país.

Foi por conta de uma notícia a esse respeito - de que o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, cogita abrir um órgão com essas características - que as bolsas de Nova York fecharam com altas significativas nesta quinta-feira.

Depois da divulgação de tal informação, dada pela rede de TV "CNBC", fontes do Departamento do Tesouro esclareceram que o Governo estuda várias opções, de modo que ainda não decidiu se lançará mesmo uma nova agência.

De qualquer maneira, o FMI se mostrou a favor dela, e Lipsky, que já foi economista-chefe do banco JP Morgan Chase, afirmou que os EUA devem atuar de forma mais enérgica para lidar com a crise, e não reagir apenas quando o noticiário informa que uma instituição financeira está à beira do abismo.

"É necessário um enfoque amplo e consistente, não um enfoque caso por caso", afirmou o vice-diretor-gerente, segundo quem a história comprova que, para funcionar, a intervenção nos mercados deve ser "em grande escala".

Na terça-feira, o Governo americano saiu em socorro da seguradora American International Group (AIG), emprestando-lhe US$ 85 bilhões.

Mas, um dia antes, deixou o banco de investimentos Lehman Brothers falir.

Por causa dessa situação, vários investidores reclamaram de o Governo não esclarecer os critérios que usa quando decide resgatar uma companhia.

"Esta tempestade pode ser superada sem uma recessão mundial prejudicial, mas, para conseguir isso, serão necessárias respostas claras e coerentes das autoridades e instituições públicas de todo o mundo", disse Lipsky em discurso no Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS, na sigla em inglês).

Durante a apresentação, pela primeira vez o especialista expôs com detalhes a opinião do FMI sobre o agravamento da crise financeira.

Lipsky destacou que a turbulência nas bolsas será gradual e acompanhará a recuperação da atividade econômica em 2009, quando o crescimento mundial, segundo previsões do órgão, deverá ser de pouco menos de 4%.

No entanto, o vice-diretor-gerente do FMI reconheceu que a tendência macroeconômica "segue uma direção preocupante" e que economias avançadas, que pareciam robustas, agora mostram sinais de fraqueza.

"Com a queda dos mercados imobiliários no Reino Unido, na Irlanda e na Espanha, aumentaria a preocupação sobre os efeitos no setor financeiro", disse para exemplificar.

Atualmente, a maioria das economias avançadas "está virtualmente estagnada ou a ponto de cair na recessão", afirmou o economista.

Lipsky disse ainda que o Banco Central Europeu (BCE) poderá reduzir as taxas de juros se a atividade econômica se desacelerar e se a inflação ficar sob controle, como prevê o FMI.

Sobre os mercados emergentes, o economista declarou que tais países podem sofrer algum impacto com a diminuição de investimentos estrangeiros. No caso da América Latina, esse fator se vê agravado pela queda dos preços das matérias-primas que a região exporta, destacou.

Mas nem todos os sinais são preocupantes. No mercado imobiliário, a origem dos problemas dos Estados Unidos, o FMI vê "uma luz no fim do túnel" em 2009.

Os sinais positivos, segundo Lipsky, são a redução do volume de imóveis à venda, a queda de seu preço para níveis razoáveis em termos históricos e a intervenção do Governo no mercado hipotecário.

EFE cma/sc

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG