Paris, 6 out (EFE).- O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou hoje que a atual crise financeira não deve fazer esquecer as dos alimentos e de energética sofridas em particular por aproximadamente 50 países pobres e em zona de risco.

"Apesar das dificuldades da crise financeira internacional, as outras crises crescentes no planeta não podem ser esquecidas", advertiu Strauss-Kahn em um fórum em Paris sobre as relações entre União Européia (UE) e América Latina.

O diretor-gerente do FMI disse que "há aproximadamente 50 países na zona de risco", boa parte na África, mas também na América Central, com sérias dificuldades em suas finanças por causa da escalada dos preços dos alimentos e da energia e que "poderiam piorar".

Explicou que "os preços dos alimentos se estabilizaram, mas a um nível extremamente elevado", e seguirão nesse patamar em 2009, ano para o qual o FMI trabalha com a hipótese de que o barril de petróleo se situe em US$ 120.

Strauss-Kahn disse que, para os países pobres importadores de petróleo, o aumento do preço do barril do petróleo, que representa US$ 60 bilhões em termos globais, significa um esforço suplementar equivalente a 3% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Quanto ao encarecimento dos alimentos, o aumento do petróleo representará para os 43 países em situação mais frágil um crescimento de 1% do PIB.

"As conseqüências humanas são extremamente fortes", sintetizou.

Strauss-Kahn estima que na América Latina a inflação média será de 13% no final do ano, o que mostra que já se entrou em "um novo ciclo de inflação forte", que tem conseqüências sobre as taxas de juros e apresenta "risco de explosão social".

"É uma espiral que os países da América Latina conhecem muito bem", disse, antes de ressaltar que por isto mesmo a prioridade deve ser "controlar este risco de inflação", além de cuidar do impacto para os "mais desfavorecidos" com medidas de segurança internas.

O diretor-gerente do FMI pediu que os doadores internacionais "assumam sua parte" de responsabilidade, pois o momento atual não está "no nível que se esperava" em transferência de fundos.

Reiterou que cumprirá seus compromissos de ajuda ao desenvolvimento não apenas para evitar a miséria nos países pobres, mas também por interesse próprio, já que os Estados do Sul são os que mais podem registrar crescimento graças a uma demanda mais dinâmica.

Strauss-Kahn se esforçou para desmontar a idéia de que os mercados emergentes ficarão à margem da crise financeira, já que "o conjunto do mundo está globalizado e as conseqüências da crise financeira serão sentidas em todas as partes".

"Haverá uma forte repercussão indireta" na América Latina, onde "esperamos um arrefecimento do crescimento bastante sensível", embora a crise financeira "afete principalmente Estados Unidos e Europa".

Por outro lado, o diretor-gerente do FMI alertou que "a mudança climática terá conseqüências na distribuição da produção agrícola", com uma mudança do mapa das regiões mais férteis e menos produtivas, o que acarretará "grandes fluxos de população". EFE ac/wr/fal

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