O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem o pacote de 30 bilhões em empréstimos à Grécia durante três anos, que se somarão aos 80 bilhões fornecidos pelos países que utilizam a moeda comum europeia. O conselho, composto por 24 diretores que representam os 186 países-membros da entidade, aprovou o plano em sessão extraordinária, após um processo acelerado de debates.

O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem o pacote de 30 bilhões em empréstimos à Grécia durante três anos, que se somarão aos 80 bilhões fornecidos pelos países que utilizam a moeda comum europeia. O conselho, composto por 24 diretores que representam os 186 países-membros da entidade, aprovou o plano em sessão extraordinária, após um processo acelerado de debates. A ajuda será desembolsada gradualmente, após revisões periódicas por parte do Conselho Executivo, que verificará se a Grécia cumpriu as metas de redução do déficit fiscal e se implementou reformas estruturais. O país precisa de uma ajuda imediata do FMI e dos países da zona do euro para fazer frente a um pagamento de 9 bilhões no dia 19 de maio. Atualmente, a Grécia não tem condições de captar esse valor nos mercados. Brasil participa. O dinheiro do FMI virá das cotas fornecidas por todos os membros ao fundo comum da entidade e de acordos bilaterais assinados por países com economias fortes. O Brasil, por exemplo, anunciou que emprestará US$ 286 milhões ao FMI para o pacote de ajuda. Em 2010, os créditos totais do FMI e da zona do euro à Grécia chegarão a 40 bilhões, segundo o comunicado oficial emitido pelo Conselho Executivo após a liberação do crédito. "O caminho pela frente será difícil, mas o governo (da Grécia) planejou um programa crível que está equilibrado em termos econômicos e sociais, com proteção para os grupos mais vulneráveis. A chave agora é sua aplicação", disse, no comunicado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Em todo o ano de 2010, o Fundo desembolsará 10 bilhões para a Grécia e os países que fazem parte da zona do euro, 30 bilhões. Portugal e Espanha. O "número dois" do FMI, John Lipsky, aproveitou a ocasião ontem para reiterar que a instituição não mantém negociações com Espanha e Portugal para estender créditos a seus governos, em resposta aos boatos que surgiram esta semana nos mercados nesse sentido. "Não mantemos negociações sobre um programa (de crédito) com Portugal ou Espanha", disse Lipsky, em entrevista coletiva, depois que o Conselho Executivo da entidade aprovou o plano de ajuda à Grécia. John Lipsky disse que "está claro", pelos movimentos das bolsas esta semana, que "há um estresse amplo nos mercados financeiros que vai além da Grécia". As dúvidas sobre a resposta europeia e do FMI à crise fiscal na Grécia elevaram na semana passada os prêmios de risco dos bônus espanhóis e portugueses a seu nível mais alto desde a introdução do euro. Como resposta, o governo espanhol informou que reduzirá o déficit público este ano em meio ponto porcentual, o equivalente a 5 bilhões, e em 2011 em um ponto porcentual. Lipsky disse estar ciente de que as autoridades europeias buscavam medidas extras de ajuste fiscal, mas não quis opinar sobre o anúncio feito pela Espanha, por não saber detalhes. O funcionário do FMI disse que a entidade "apoia e cooperará" com a iniciativa europeia que for determinada hoje (ontem) em reunião extraordinária, mas afirmou que, por enquanto, não foi detalhado especificamente como isso ocorrerá.

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