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FMI apóia intervenção do governo dos EUA para conter crise

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) engrossou ontem o coro dos que defendem uma intervenção mais abrangente do governo dos Estados Unidos para estabilizar o sistema financeiro americano, apesar dos custos gigantescos que uma iniciativa dessa natureza certamente teria. Uma abordagem mais sistemática pode ser necessária para lidar com questões básicas como a administração de ativos problemáticos, o grau de proteção oferecido aos depositantes e a escala e o alcance do apoio à liquidez oferecido a instituições e aos mercados , afirmou o número dois do Fundo, John Lipsky. As autoridades americanas têm discutido a conveniência de criar uma empresa pública para limpar os balanços dos bancos e tirar de circulação os ativos ruins que contaminaram o sistema financeiro, nos moldes do que os EUA fizeram na década de 90 para resolver uma crise no mercado de crédito habitacional.

Valor Online |

Lipsky disse que o uso de recursos públicos para evitar o colapso do sistema se tornou " imperativo " , mas eles deveriam ser usados de forma mais abrangente do que as medidas adotadas até agora pelo Federal Reserve, o Banco Central americano, e pelo Tesouro dos EUA. " Esforços pontuais dessa natureza em geral não são eficazes " , disse Lipsky, em discurso no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Na avaliação do diretor do Fundo, as mudanças em Wall Street mal começaram. " Não seria surpreendente se algumas outras instituições financeiras não sobreviverem em suas formas atuais " , disse Lipsky, que em 2006 deixou o cargo de vice-presidente do banco de investimentos JPMorgan para trabalhar no FMI. " Parece claro que o tamanho do setor financeiro vai encolher em muitos mercados. "
Ele previu que o desarranjo no mundo financeiro fará a economia global desacelerar ainda mais neste ano, mas afirmou que o mundo provavelmente conseguirá escapar de uma recessão graças ao crescimento de potências emergentes como a China. Os EUA e os países mais avançados continuarão " estagnados ou à beira de uma recessão " , disse Lipsky.

As projeções do FMI indicam que a economia mundial deve crescer cerca de 4% neste ano e menos do que isso no próximo, segundo Lipsky. Ele acrescentou que os economistas do Fundo calculam que a economia global chegará ao último trimestre deste ano crescendo apenas 3%, em comparação com o último trimestre do ano passado. Previsões mais detalhadas serão apresentadas em outubro pelo FMI.

Apesar do bom desempenho que as economias emergentes exibiram nos últimos tempos, Lipsky disse que todos os países serão atingidos pela tempestade financeira e mencionou a queda nos preços do petróleo e de outras matérias-primas como o risco mais sério para países que dependem muito da exportação dessas mercadorias, como o Brasil.

" As economias emergentes não podem desafiar a gravidade num mundo cada vez mais multipolar " , afirmou o diretor do Fundo Monetário. Sem se referir a nenhuma economia em particular, ele recomendou aos países em desenvolvimento que contenham os gastos públicos para ajudar os bancos centrais a conter as pressões inflacionárias que surgiram nos últimos meses sem precisar sacrificar demais o ritmo decrescimento da atividade econômica.

"(Ricardo Balthazar | Valor Econômico)"

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