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FMI apóia expansão do gasto público

O Fundo Monetário Internacional (FMI) comemorou a recomendação do uso de política fiscal - isto é, mais gastos públicos - no comunicado final da reunião do G-20 em São Paulo. A política fiscal expansionista, coordenada entre os países, é vista como uma das principais armas para combater uma das piores crises econômicas dos tempos modernos, especialmente à medida que os juros dos países ricos vão sendo derrubados para níveis baixos, reduzindo o espaço para impulsos monetários adicionais.

Agência Estado |

A revisão recém-lançada de previsões do FMI sobre a economia global projeta que o conjunto das nações avançadas terá em 2009, pela primeira vez no pós-guerra, queda no Produto Interno Bruto (PIB). "Pode parecer um pouco surpreendente que o FMI esteja argumentando a favor do estímulo fiscal, mas é mais surpreendente que todo mundo, ou quase todo mundo, no G-20 tenha sido favorável", disse Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI. O FMI tornou-se conhecido nas últimas décadas pelas recomendações de aperto fiscal a economias emergentes em crises.

O consenso alcançado ao final da reunião sobre política fiscal, porém, tem muitas nuances e precondições. Strauss-Kahn referiu-se sempre ao estímulo fiscal como uma política a ser adotada no tempo adequado, de forma focalizada e em caráter temporário. Ele acrescentou que a política fiscal expansionista "não é possível em todos os lugares, mas, onde for possível, esse tipo de suporte tem de se materializar".

Foi particularmente elogiado, pelo diretor-gerente do FMI e pelos participantes do G-20 em geral, o pacote de impulso fiscal de US$ 500 bilhões anunciado ontem pela China. "Estou feliz que os chineses tenham anunciado algo que está exatamente em linha com o que nós pedimos há dois meses", celebrou Strauss-Kahn.

Em relação ao Brasil e à América Latina, ele indicou que o uso da política fiscal tem de ser contrabalançado com o risco de inflação. "Em toda a América Latina, a inflação é uma preocupação", disse. Ele ressalvou que a queda no preço das commodities faz com que esse risco se torne menor em 2009.

Quanto ao Brasil, especificamente, ele repetiu a atitude da véspera do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, dizendo que não gostaria de fazer comentários em São Paulo sobre a política econômica do País. Ainda assim, disse que "não censuraria o governo brasileiro e o Banco Central por estarem preocupados com a inflação".

Strauss-Kahn deixou claro, porém, que, ainda que a preocupação com a inflação deva ser mantida, o problema do mundo hoje é muito mais o da desaceleração do crescimento do que o risco da alta dos preços. Para ele, os dirigentes de banco central são naturalmente mais preocupados com os efeitos inflacionários do impulso fiscal do que os ministros de finanças.

Ele também enfatizou que uma política de impulso fiscal coordenada entre os países seria bem mais eficaz do que iniciativas isoladas, e deu a entender que esse tipo de cooperação já começa a ocorrer, e foi reforçado na reunião do G-20 neste fim de semana em São Paulo.

Ele chegou a comparar essa colaboração com o anúncio coordenado de corte de juros básicos dos Estados Unidos, da União Européia (EU), da Inglaterra, da Suíça e mais alguns países logo após a reunião de outubro do FMI.

Strauss-Kahn, porém, foi menos claro ao explicar por que as iniciativas fiscais que vêm sendo anunciadas de forma individual, e em momentos diferentes, por países como Estados Unidos, China e Alemanha podem ser comparadas com aquele corte de juros efetivamente coordenado e conjunto.

O diretor-gerente do FMI mostrou ceticismo em relação à possibilidade de o G-20 tornar-se o grupo dominante na tarefa de reformulação da arquitetura financeira internacional. Ele notou que o G-20 exclui os países pobres, "por definição", e também deixa de fora países de renda média razoavelmente importantes.

Fazendo um contraste com o exclusivismo do G-20, Strauss-Kahn defendeu o Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, em inglês), órgão de assessoria ao Conselho de Governadores do FMI. O IMFC é composto por 24 membros, que representam os 185 sócios do FMI. "O G-20 é muito importante, é uma uma parte muito grande do PIB mundial, mas, apesar disso, são apenas 20 países, enquanto o IMFC representa 185 e tem uma natureza universal."

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