SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch Ratings confirmou as notas dadas ao Brasil depois de processo anual de revisão que reavaliou 17 países emergentes com classificação de grau de investimento. Segundo a Fitch, essa revisão de nota levou em conta a capacidade de absorver o choque de uma recessão nas maiores economias do mundo.

E, para a agência, essa contração econômica será tão longa e profunda quanto as observadas no começo dos anos 80 e 90.

Em comunicado, a diretora-sênior do grupo soberano da Fitch, Shelly Shetty, apontou que a forte liquidez externa brasileira provê segurança suficiente para sustentar a atual classificação de risco do país com perspectiva estável.

A Fitch também diz que, por ser um credor externo líquido, ter melhorado sua estrutura de endividamento e ter dado respostas criteriosas às pressões internas que emergem da crise externa, o Brasil pode manter suas notas. " Embora o Brasil seja afetado pela menor liquidez externa e pelo baixo preço de commodities, é pouco provável que o país entre em uma recessão em função de uma economia relativamente fechada " , apontou a Fitch.

Ainda na América Latina, a agência também reafirmou a nota e a perspectiva para a classificação do Peru, apontando a baixa necessidade de capital externo do país, mas rebaixou a perspectiva de rating do México, de estável para negativa.

Segundo a Fitch, a revisão para baixo na perspectiva mexicana reflete a preocupação com a capacidade da economia de reagir a um choque externo triplo e simultâneo: a pior recessão dos Estados Unidos em 25 anos, o menor fluxo de capitais e o baixo preço do petróleo.

A agência também alterou a perspectiva para a nota do Chile, que saiu de positiva para estável. Segundo os técnicos da Fitch, tal ação reflete a menor probabilidade de um aumento de nota levando em conta o atual ambiente econômico global. Para a Fitch, uma recessão global vai afetar a pequena economia chilena, enquanto a retração no preço das commodities prejudica a liquidez externa do país.

De maneira geral, das 17 economias avaliadas, 13 conseguiram manter seus ratings soberanos, quatro foram rebaixadas e as perspectivas de nota foram revisadas para sete delas.

As economias que tiveram sua avaliação de capacidade de pagamento colocada para baixo foram: Bulgária e Cazaquistão de BBB para BBB-; Hungria, que saiu de BBB+ para BBB; e Romênia, que caiu de BBB para BB+, refletindo o risco de uma acentuada crise econômica e financeira.

" A profunda mudança no panorama econômico e financeiro mundial impõe desafios aos mercados emergentes. Os responsáveis pelas políticas em países emergentes têm um escopo ainda menor para erros do que seus pares nos mercados desenvolvidos, mas eles estão mais bem posicionados para lidar com esses desafios " , resumiu o chefe do grupo global de ratings soberanos da Fitch, David Riley, por meio de comunicado.

(Valor Online)

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