A indústria fluminense aposta no mercado interno para driblar a crise em 2009. A análise é da diretora de Desenvolvimento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana Marques de Sá, que divulgou hoje os dados da Pesquisa de Nível de Atividade das Indústrias do Estado do Rio.

De acordo com ela, no universo da pesquisa, que ouviu 178 indústrias no início do ano, 67,4% das entrevistadas apostam em manutenção ou alta de vendas no primeiro trimestre, em comparação com igual período no ano passado.

Segundo Luciana, a pesquisa foi fortemente influenciada por respostas otimistas de empresas cujos resultados são voltados mais para a demanda doméstica, como as de alimentos, bebidas, vestuário, têxtil, calçados e gráfica. A indústria extrativa, que é uma das mais representativas do estado do Rio, não foi considerada na análise. Do total de indústrias entrevistadas, 51,7% são médias empresas; 36,5% são pequenas empresas; e 11,8% são grandes empresas.

Entretanto, no curto prazo, as empresas admitiram que houve impacto negativo da crise. Dentro do total pesquisado, metade informou queda de vendas em janeiro deste ano, ante janeiro do ano passado. Entretanto, a economista observou que 48,9% das pesquisadas já esperavam esse resultado, tendo em vista as notícias sobre a crise, e classificaram a demanda registrada no primeiro mês do ano como "dentro das expectativas".

Luciana informou ainda que 58,5% das indústrias analisadas informaram que seu ritmo de produção não foi afetado pela crise econômica. "Isso porque o nível de estoques já estava baixo. No ano de 2008, o volume de vendas seguia alto, e isso diminuiu os estoques, de uma maneira geral", afirmou a diretora.

Influenciado pela confiança na demanda doméstica aquecida, ao longo desse ano, metade das indústrias pesquisadas informaram que pretendem manter o mesmo número de funcionários no primeiro trimestre deste ano, em relação ao número de trabalhadores registrado em igual período ano passado. "Apesar da crise, cinco em cada dez entrevistadas (ou 56,4% do total) permanecem otimistas quanto à evolução da economia brasileira em 2009", acrescentou Luciana.

Mas a economista admitiu que, no caso da demanda externa, foi praticamente impossível não detectar respostas negativas. No total de entrevistados, 37% das empresas que exportam reduziram suas vendas por conta da crise. "Pelo que vimos, há uma expectativa de aumento nesse porcentual", afirmou.

O presidente em exercício da federação, Carlos Mariani, ao comentar os dados da pesquisa, observou que a atual crise econômica global não tem precedentes. Porém,o impacto da crise, na análise de Mariani, tem sido menos negativo na economia do País do que no cenário macroeconômico de outras nações. "Mas ainda há muito por vir", comentou.

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