SÃO PAULO - O Bradesco prevê uma continuidade na queda da inadimplência até o fim do ano, mas a tendência, a partir de agora, é de contração mais suave nos calotes dos tomadores de empréstimos. Em seis meses, os atrasos superiores a 90 dias na carteira de crédito da instituição financeira recuaram 0,9 ponto percentual, chegando a 4% em junho, patamar que, nas previsões do banco, só seria obtido no fim do ano. Com isso, a instituição financeira já considera uma queda da inadimplência para a faixa de 3,6% a 3,7% até dezembro, embora, oficialmente, as previsões não tenham sido alteradas. "Isso é mais um sentimento.

Ainda não revisamos nossos estudos", afirmou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, durante teleconferência com jornalistas sobre os resultados do banco no segundo trimestre, quando o lucro somou R$ 2,405 bilhões, 4,7% acima de igual período de 2009. Apesar da tendência positiva, Trabuco disse que o ritmo de queda de 0,4 ponto percentual, verificado no índice de inadimplência do primeiro para o segundo trimestre, não deverá se repetir. O banco ainda descarta voltar neste ano ao patamar de 3,4%, registrado antes da fase mais aguda da crise financeira, cujo marco é a quebra do Lehman Brothers em setembro de 2008. Isso porque houve uma mudança no mix da carteira de crédito, com um peso maior nas operações de pessoas físicas e pequenas e médias empresas, que, junto com a incorporação do banco Ibi, pressionam os calotes para cima. Segundo Domingos Abreu, vice-presidente executivo do Bradesco, o banco não vislumbra a necessidade de reforçar ou mesmo utilizar as provisões para calotes constituídas durante a fase mais crítica da crise financeira. "Estamos confortáveis com os níveis (atuais) de provisões", afirmou. (Eduardo Laguna | Valor)

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