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Veja dicas para atuar no comércio eletrônico

Fazer um bom plano de negócios e facilitar a navegação dos consumidores são fundamentais para o sucesso do empreendimento

Bruna Bessi, iG São Paulo | 21/09/2010 05:30

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Um blog de música e cinema foi a porta de entrada de Eduardo Biz para o mundo dos negócios virtuais. Ainda em 2001, ele estudava design gráfico e atualizava seus posts. Em uma das notas, divulgou estampas de sua autoria aplicadas em camisetas, que acabaram bem recebidas pelos leitores. O problema: os produtos ainda não estavam à venda. Ao perceber a oportunidade, Biz montou a loja virtual Alguns Tormentos, que hoje vende em média 300 peças por mês, entre camisetas e moletons.

Foto: Divulgação

Eduardo Biz descobriu com um blog a oportunidade de criar sua loja virtual, a Alguns Tormentos, que vende 300 peças por mês, entre camisetas e moletons

As dificuldades iniciais enfrentadas pelo designer são usuais para empreendimentos desenvolvidos na internet, afirmam especialistas. Segundo pesquisas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net), 45% das lojas virtuais no Brasil fecham antes do primeiro ano de atividade. Para Gerson Rolim, diretor executivo da Instituição, uma das principais causas da mortalidade precoce é a falta de planejamento. “Muitos empresários não têm experiência em comércio eletrônico, acham que é mais fácil abrir uma loja virtual do que uma física e isso é um engano. Entram despreparados e não planejam o negócio. Por isso, fecham”, afirma.

Quando Biz ainda usava o blog para as vendas, a falta de caracterização comercial para que os clientes adquirissem os produtos era um ponto de dificuldade para a clientela. “Era um processo demorado. Eu passava o número da conta, as pessoas depositavam o valor da compra e encaminhavam o comprovante, para que eu mandasse o produto”, afirma Biz. Somente em 2008 o negócio foi estabelecido e se tornou uma atividade profissional para o designer.

Responsável pela criação dos modelos e administração do empreendimento, Biz contratou uma empresa para desenvolver o site. Hoje, a produção das camisetas é terceirizada, a entrega dos produtos é feita pelos Correios e uma empresa garante a segurança da loja. “Fazer quatro criações durante o ano e cuidar da administração é bem complicado”, diz. “Para me organizar, faço muitas tabelas e planilhas. É preciso saber exatamente o que e quanto é vendido, senão perco o controle”.

Foto: Divulgação

Lojas virtuais exigem tanto planejamento quanto as físicas

Desafios virtuais

O designer prosperou no comércio eletrônico, mas são muitos os empreendimentos do gênero que naufragam. Estudos do Serviço de Apoio Brasileiro às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae- SP) revelam que a taxa de mortalidade das empresas (físicas) paulistas no primeiro ano de existência é de 27%, o que contrasta com os 45% das virtuais. Alguns cuidados, como a manutenção dos estoques, frete atrativo, marketing dos produtos e facilidade na navegação são citados por especialistas como pontos importantes para a resistência das lojas virtuais. “Além disso, é preciso investir no negócio, assim como em uma loja física. Ter boa plataforma de comércio eletrônico (que permita elevado número de acessos) e uma gestão eficiente”, diz Rafael Forte, sócio da consultora em comércio eletrônico Wx7.

Ainda que não tenha lojas físicas, o comércio virtual requer preparo e controle. Para não perder o foco nas vendas é preciso definir os produtos que serão vendidos, preocupar-se em facilitar a navegação pelo site e criar um layout atrativo. Contratar profissionais especializados pode ajudar na nova empresa. O investimento total na nova empreitada pode chegar a R$ 150 mil. “As pequenas e médias empresas devem se acostumar com a nova realidade virtual. Para crescer, é preciso investir”, diz Forte. “É um mito achar que loja virtual é mais barata”.

Há bons motivos para abrir uma loja virtual no Brasil, já que o ramo cresce de modo acelerado. Segundo dados da Câmara-e.net e do E-bit, o e-commerce brasileiro aumentou 40% no primeiro semestre quando comparado com o mesmo período de 2009, atingindo faturamento de R$ 6,7 bilhões. Outro ponto positivo é que existe a expectativa de que em 2010 se chegue ao número de 23 milhões de e-consumidores, 5,4 milhões a mais do que no ano passado - um crescimento, portanto, de 30%. “A loja virtual será uma tendência. Os consumidores precisam conhecer melhor seu funcionamento e ter garantias plenas de que o site é seguro, criptografado e com selo de segurança”, diz Sandra Turchi, superintendente de marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A despeito das dificuldades iniciais, Eduardo Biz manteve-se no comércio via web. Não há lojas físicas próprias da Alguns Tormentos, mas os produtos – que custam de R$ 49 a R$ 79 - podem ser encontrados em pontos de venda de lojas multimarcas. Apesar dos 15 revendedores físicos espalhados em todo Brasil, Biz afirma que as vendas pela internet ainda são mais numerosas. “As compras na web estão crescendo e a loja virtual representa 70% de meu comércio”, afirma.

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