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Finanças Pessoais
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Quebrei e renasci

Entenda as armadilhas que levam a erros fatais no mundo dos negócios

Alexa Salomão, iG São Paulo |

Nelson do Nascimento Castro, das balas Icekiss, transformou uma padaria de esquina em uma indústria de guloseimas, teve falência decretada e voltou ao mercado. A experiência de quebra e retomada vivida pelo empresário ajuda a ilustrar algumas lições essenciais para os empreendedores. Eis alguns dos ensinamentos.


Lição 1
- O sucesso de ontem não garante o sucesso de amanhã

A armadilha
Castro acumulou um histórico de decisões arrojadas, que se mostraram acertadas e elevaram sua autoconfiança como empresário. Na padaria, por exemplo, optou por não investir na compra imediata de um forno e comprava pão do concorrente. “Eu precisava saber se afinal o ponto era realmente bom”, diz Nelson. Nos anos 90, conseguiu entrar no segmento de ovos de chocolate - e, com isso, fez de sua empresa a primeira indústria a incluir um brinquedo dentro de ovos de Páscoa. “Não tinha outro jeito de tirar espaço de marcas como Garoto e Nestlé a não ser fazendo algo muito diferente”, conta. Com esse histórico, o empresário imaginou que também conseguiria ser bem-sucedido no varejo, apesar de não ter conhecimento desse mercado.

O erro
Em 1991, Castro decidiu dar um passo fora do mercado em que se fizera conhecido. Comprou a GG Presentes, tradicional varejista paulista, então com 16 lojas no Estado, algumas delas em shoppings bem frequentados da capital. Castro mirava os ganhos que poderia ter com uma das mais queridas redes do Estado, mas a GG Presentes tornou-se fonte de prejuízos constantes. Para contorná-los, Castro passou a injetar na deficitária GG Presentes recursos da lucrativa Cory. Não salvou a GG e viu a Cory entrar na falência.


Lição 2 - Quem não planeja, não age - reage

A armadilha
Castro sempre foi um empresário intuitivo - e, ao adquirir a GG Presentes, imaginou que poderia administrar uma rede de varejo como se administra uma fábrica de alimentos. Atropelou uma regra básica: ter um plano de negócios para a GG, com detalhes sobre o setor, as metas (de faturamento e de mercados a atingir, por exemplo), que traçasse os riscos do setor em que a empresa atua (bem como possíveis estratégias para contorná-los) e defisse regras para a operação (com pormenores como onde e como contratar funcionários com o perfil desejado).

O erro
A GG Presentes não tinha a menor sinergia com a Cory e Castro não tinha noção da origem e das consequências dos problemas gerados pelas lojas. Quando a rede se mostrou deficitária, sobrou a Castro improvisar medidas paliativas, o que desguarneceu a empresa que ia bem, sem reerguer a que estava mal.


Lição 3 - Não tire os olhos do mercado

A armadilha
Os anos 90 foram de transição para o varejo brasileiro. Mudaram os produtos, os fornecedores e acima de tudo os hábitos de consumo. Lojas de rua, com seus atendentes e grandes espaços, deram lugar aos shoppings, que ofereciam mais variedade, segurança e comodidade. Estabelecimentos tradicionais fecharam as portas no final da década. Entre os mais conhecidos estão Mesbla e Mappin.

O erro
Enquanto um furacão silencioso varria o varejo tradicional, Castro acreditava que o problema era a GG. “Eu fixei os olhos nas planilhas de custos e dei as costas para o mercado”, diz Castro. “Se tivesse observado o que ocorria fora do escritório, teria percebido que o varejo inteiro vivia um momento de transição.”


Lição 4 - Pratique o desapego

A armadilha
A obstinação é um dos atributos para o sucesso no mundo dos negócios, mas também pode ser fonte de derrotas. Por maiores e mais persistentes que fossem os prejuízos da GG Presentes, Castro acreditou que era transitório.

O erro
Não vender. “Eu investi em um negócio sem sinergias, mas não conseguia admitir e cortar o mal pela raiz”, diz Castro. “Prevaleceu o paternalismo.” Hoje Castro recomenda que quando um produto, uma estratégia ou mesmo um funcionário se mostrarem ineficientes para o negócio, é preciso revê-los, por mais constrangedor ou complicado que a decisão possa ser.


Lição 5 - O sucesso está nas pessoas – e o fracasso também

A armadilha
Ao longo de três décadas, Castro conseguira com a Cory arregimentar um time azeitado de fornecedores, clientes e principalmente funcionários. “Não são as máquinas, mas as pessoas que fazem uma empresa crescer”, diz Castro. O sucesso da Icekiss, por exemplo, ele atribuiu à criatividade da equipe de marketing, que nos anos 80 sugeriu imprimir mensagens no papel que envolvia as balas. “As pessoas mandavam as balas como forma de recado”, diz Castro. Bons gestores pareciam capazes de qualquer proeza.

O erro
Acreditar que os bons são bons em qualquer circunstância e função. As vendas da GG apresentavam quedas persistentes e Castro pensou que mudanças na gestão poderiam devolver à clientela as lojas. Transferiu para a rede de varejo alguns dos melhores funcionários. Ocorre que o problema estava no modelo e não na sua gestão. “Perdi talentos, que, frustrados na outra empresa, foram embora”, diz Castro.

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