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Prazos e qualidade rigorosos são exigências de estatal na escolha dos fornecedores

As micro e pequenas empresas também podem engordar seus caixas com parte dos cerca de US$ 220 bilhões que a Petrobras planeja investir até 2014 na exploração de petróleo. Do total, mais de US$ 100 bilhões serão direcionados às atividades na chamada camada pré-sal.

Para ter direito a uma fatia do bolo, no entanto, é preciso preparar-se para as exigências da companhia na qualidade do serviço ou produto fornecido e no controle das informações contábeis e fiscais das parceiras.

O empresário Roberto Juriate é sócio de uma pequena prestadora de serviços do setor de manutenção de máquinas que trabalha para a Petrobras em Santos, desde 1992, e em 2009, aumentou sua participação após ganhar a licitação de parte do contrato para desenvolver o mesmo trabalho em todas as unidades da companhia na região centro-sul, que engloba Paulínia, na região de Campinas, Mauá, no ABC Paulista, São José dos Campos, no Vale do Paraíba, além de operações no Paraná e na capital mineira Belo Horizonte.

Juriate alerta que é preciso cumprir rigorosamente os prazos solicitados, sempre com atenção à qualidade. "As solicitações devem ter retorno imediato", afirma. Ele lembra, ainda, que as empresas que pretendem tornar-se parceiras da Petrobras devem ter os demonstrativos contábeis em ordem, bem como pagamento de tributos em dia.

Canal de orientação

Um canal de orientações a micro e pequenos empresários que almejem relacionamento comercial com a Petrobras é o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). José Renato Ferreira Almeida, coordenador do Prominp, afirma que as empresas podem se cadastrar no site www.prominp.com.br para eventuais operações com a empresa.

"Estamos detalhando as demandas em menores lotes, justamente para que as micro e pequenas empresas possam participar das concorrências", explica o executivo. Almeida conta que além de negócios diretos com a Petrobras, no site do Prominp os empresários podem ter acesso a outros parceiros. "Parte vai saber quem compra o que quer vender e parte quem vende o que precisa comprar", resume. "É um portal de oportunidades para fornecedores diretos e indiretos", afirma.

Sonia Almeida, coordenadora estadual de relacionamento com a Indústria do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), ressalta que o setor de petróleo e gás é um "filão promissor". Segundo ela, os fornecedores nacionais respondem por 54% do volume de negócios da cadeia de óleo e gás e a parcela pode crescer.

Segundo Sonia, a demanda por serviços e produtos vai desde trabalhos de pintura a serviços de alta tecnologia. De acordo com a coordenadora do Sebrae-SP, é difícil determinar qual é o espaço ocupado atualmente pelas micro e pequenas empresas nas parcerias com o setor. "A relação é diluída em toda a cadeia produtiva", diz.

Ela ainda observa que uma empresa só estabelece parcerias com a Petrobras ou outras integrantes do segmento quando se mostra capaz de cumprir, além das exigências administrativas, determinações de cunho ambiental e de segurança. "É um trabalho duro, mas uma vez habilitada para lidar com o setor, a companhia fornecedora estará em condições de atender qualquer segmento", garante.

Sônia lembra que, pela Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, em vigor desde 2006, as compras governamentais ou de empresas com participação do governo até R$ 80 mil devem ser realizadas de micro e pequenas empresas. "Nosso objetivo é aproximar os pequenos fornecedores das grandes empresas deste e de outros setores", diz.

 Dariane Castanheira, professora do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento da Fundação Instituto de Administração (Proced-Fia), reitera que a empresa terá de mostrar condições para prestar o serviço para o qual se candidate, além da situação fiscal regular.

"Não ter débitos com os três níveis de governo é fundamental para obter espaço", ressalta a professora. Segundo ela, micro e pequenas empresas podem aproveitar vários setores, como fornecimento de uniformes, transporte de pessoal e fornecimento de alimentação, entre outros.

Joseph Couri, presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), afirma que o cadastramento das empresas candidatas a parceiras da Petrobras, é "difícil". O número um do Simpi vê a empresa como excelente oportunidade de negócios para a pequena indústria, mas faz ressalvas.

"O cadastramento dá direito a uma senha, mas a empresa não sabe se estará habilitada a fornecer. O mais correto seria a visita de um representante da Petrobras para avaliação após o cadastro", diz .

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