Informática, turismo e infraestrutura estão entre beneficiados; BNDES espera aumento nos empréstimos para TI e construção civil

Apesar de a Copa do Mundo estar começando na África do Sul, muito empresários estão de olho na próxima, a de 2014. Após 64 anos, o Brasil voltará a sediar o evento mais importante do futebol. Apesar de ainda não haver projeções oficiais sobre total de investimento a serem feitos no mundial, os setores de turismo e infraestrutura devem ser os mais beneficiados com a realização da Copa por aqui. No entanto, o maior evento do futebol mundial tende a abrir grandes oportunidades para diversos segmentos.

O orçamento previsto pelo Ministério do Esporte para o mundial de 2014 é de R$ 17,52 bilhões, valor 120% superior ao gasto na Copa de 2010, na África do Sul. Alguns setores iniciam a fase de investimentos. O turismo, por exemplo, terá uma linha de R$ 1 bilhão do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para construção e ampliação de hotéis. Já para os 12 estádios que receberão os jogos, serão liberados R$ 4,8 bilhões em investimentos.

Para o setor de aço, a demanda por conta da Copa e dos Jogos Olímpicos deve ter um incremento de 8 milhões de toneladas, quase a produção total da Usiminas, que tem capacidade de 9,5 milhões de toneladas anuais.

Segundo Dival Schimidt, coordenador de projetos de Turismo do Sebrae, o maior evento do futebol mundial vai movimentar três grandes esferas de investimentos: infraestrutura, mobilidade urbana e serviços. “A Copa do Mundo é um evento mobilizador e acelerador", diz ele. "Como tem data para acontecer, temos um prazo para criar condições objetivas para atender às exigências e o negócio ser desenvolvido.”

Para Schimidt, além da própria construção civil, os setores de turismo – com hospedagem, alimentação, operadoras, organizadores de eventos, locação de transporte e afins -, artesanato, cultura, comércio varejista, entre outros, têm grandes oportunidades com a Copa. “Na área da tecnologia da informação, existe uma chance importante para pequenos e micros negócios, que é a criação de softwares a serem usados, por exemplo, em celular, para gerar informações às pessoas que virão ao País”, afirma. “O comércio varejista tem uma oportunidade enorme para desenvolver produtos que podem ser apresentados durante o evento."

Time em campo

Pensando nisso, a fabricante de roupas Marc4 lançou uma linha especial de camisas e bonés personalizados de dez seleções que estarão na Copa de 2010, na África do Sul. Para os jogos no Brasil, a empresa já começa a traçar as estratégias. “Vamos continuar batendo na linha dos times de futebol [a empresa licencia produtos de 17 clubes do País]. Nos próximos cinco anos, só vai se falar de futebol no Brasil”, diz Artur Regen, diretor-executivo da Marc4.

Artur Regen, diretor-executivo da fabricante de roupas esportivas Marc4, pretende vender 10 mil bonés das seleções durante a Copa
Divulgação
Artur Regen, diretor-executivo da fabricante de roupas esportivas Marc4, pretende vender 10 mil bonés das seleções durante a Copa

“A linha Soccer Premium vai chegar em 2014 como um negócio bastante importante. A partir do final de 2013, a ideia é bater forte na Copa do Mundo."

Segundo Regen, a empresa espera vender 180 mil bonés em 2010. Somente a linha das seleções deve movimentar 10 mil camisetas e 6 mil bonés. Lançada em janeiro, a linha estará em mais de 3,7 mil pontos de venda em todo País.

De olho no cartão

Voltado para as micro e pequenas empresas, o cartão BNDES é uma opção de financiamento para os empresários que pretendem investir de olho na Copa do Mundo. O crédito, que pode chegar a R$ 1 milhão, pode ser parcelado em até 48 vezes, em juros que, em fevereiro, eram de 0,99% ao mês.

Segundo Rodrigo Bacellar, chefe do Departamento de Operações por Internet, responsável pelo cartão BNDES, os recursos são utilizados, em sua maioria, para a compra de computadores. “Esperamos que haja grande crescimento na compra de materiais de construção, por conta da Copa e das Olimpíadas", diz ele. "Esse item foi autorizado no cartão no ano passado.”

Bacellar afirma que os investimentos das pequenas e médias empresas para a Copa comecem a partir de 2012, com destaque para o setor de turismo, que responde atualmente por 10,5% dos cartões emitidos. Atualmente, cinco bancos emitem o cartão BNDES: Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa e Banrisul. Segundo Bacellar, um sexto banco passará a emitir o cartão ainda neste ano.

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