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Finanças Pessoais
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Happy hour com ideias e dinheiro

Encontros com investidores começam a surgir no País e são obrigatórios para quem quer recursos para transformar a ideia em empresa

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Ao redor de uma mesa com aperitivos e refrigerantes, jovens formam rodas de conversas para falar de ideias e investimentos. São grupos de empreendedores e investidores de todo o País, em um happy hour nada convencional. Chamados de “StartUp MeetUp”, esses encontros começaram no Brasil há pouco mais de um ano e se tornaram obrigatórios para quem busca recursos para sua empresa e para quem faz a gestão do dinheiro de fundos de investimento.

O último aconteceu em São Paulo, durante o evento Campus Party 2011, e reuniu cerca de 100 jovens empreendedores e representantes de fundos de investimentos. O ambiente era informal. “É um happy hour”, reforça Rodrigo Esteves, diretor da gestora Confrapar. Especializada em capital semente, a empresa possui dois fundos e estava presente no evento para sondar novos projetos.

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Mais de 100 empreendedores e investidores passaram pelo último "StartUp", em São Paulo
Durante duas a três horas, os jovens contam suas ideias a quem quiser ouvir. Os investidores passam de roda em roda e também aproveitam para trocarem informações sobre os empreendedores e o mercado. “A indústria é muito colaborativa”, diz Francisco Jardim, gestor do fundo Criatec, que é focado em investimentos em companhias em fase inicial.

No Brasil, não há disputa entre investidores por projetos, como acontece no sofisticado mercado dos Estados Unidos. “Perguntamos aos outros se eles conhecem determinada empresa e o que já sabem sobre os empreendedores, por exemplo”, diz Jardim. Muitas vezes, a partir dessas conversas, dois ou mais fundos decidem se unir para investir em uma só empresa, fazendo um “coinvestimento”.

Entre os jovens, o clima não é nada hostil. “Eu não tenho medo de ter minha ideia roubada porque até um outro empreendedor chegar na etapa que já estou hoje, minha empresa já estará no mercado”, diz Maria Alice Maia. Ela criou um serviço de vendas relâmpago pela internet, chamado Ippon, e destinado à companhias de turismo e entretenimento.

“Eles aproveitam para falar de modelos de negócios, do mercado e das empresas”, diz Yuri Gitahy de Oliveira, fundador da Aceleradora, empresa que ajuda empreendedores a encontrar investidores e que organiza alguns “MeetUps”. Pode ser até que encontrem parceiros.

Foi justamente assim que os jovens estudantes Diego Reeberg e Luis Otávio Ribeiro, de São Paulo, conheceram Daniel Weinmann e Pedro Axelrud, de Porto Alegre, e descobriram que tinham um projeto muito parecido. “O Daniel é um grande entusiasta do ‘crowdfunding’ [investimento colaborativo]. Em um evento aqui em São Paulo ele conheceu o Diego e o Luis, também aficionado pela ideia”, diz Axelrud. Os dois paulistanos queriam fazer um produto disso, mas precisavam de algum para cuidar da parte de desenvolvimento, especialidade da Softa, empresa de Weinmann e Axelrud. “Foi a combinação perfeita”, afirma.

Eles concordam com Maria Alice que não há motivos para ter medo. “Apesar de todos buscarmos investimentos, atuamos em negócios diferentes e há espaço para todos. De fato, há R$ 60 bilhões disponíveis para aplicação na indústria brasileira de investimentos em empresas, segundo o último censo do Centro de Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (GVcepe).

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Pedro, Luis, Diego e Daniel: jovens formam parceria em happy hour
Vale ponderar que esses recursos são destinados para empresas de vários tamanhos, desde aquela que ainda está na fase das ideias até a compra de participação em uma companhia já estruturadas (private equity), como foi o caso da compra da empresa de turismo CVC pelo grupo norte-americano Carlyle.

Os investidores não divulgam seus aportes por categoria, diz Tiago Cruz, coordenador do GVcepe. Mas afirma que os dados que colheram com os fundos mostram que as empresas em fase inicial estão no radares dos gestores. “Em número de negócios, as start-ups correspondem a 15% da indústria”, acrescenta.

Para os interessados em participar, o próximo encontro será o “BR New Tech”, em 17 de fevereiro, no prédio da Microsoft, em São Paulo.

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