Fundo investe R$ 35 milhões em startups cariocas

Primeira empresa a receber aporte do venture capital Confrapar no Rio é o site de busca de classificados Fisgo

Mariana Sant'Anna, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Alves, Lemos e Rodrigues, empreendedores que receberam aporte do fundo NascenTI
Empreendedores do Rio estão na mira do venture capital Confrapar. Por meio de seu fundo NascenTI, os investidores têm R$ 35 milhões para apoiar oito empresas na cidade até junho de 2014. A Confrapar, criada em 2005, chegou ao mercado carioca em 2012. No ano passado, investiu em um fundo voltado para empresas inovadoras em Minas Gerais.

A primeira startup a receber um aporte do fundo foi a Fisgo, um site de busca de imóveis e veículos. O site, criado pelos sócios Hélio Lemos, Frederico Alves e Eduardo Rodrigues, usa um sistema similar aos das páginas de comparação de preço: reúne ofertas de diferentes classificados online, ao invés de receber, ele próprio, anúncios de vendedores. Ao direcionar o clique do internauta para um site parceiro, o Fisgo recebe uma taxa como pagamento. O investimento da Confrapar na startup foi de R$ 2,5 milhões.

Os empreendedores e o venture capital negociaram por 11 meses até fecharem o acordo. “Foi uma conversa longa porque era o nosso primeiro investimento, então queríamos que fosse certeiro”, afirma Fred Arruda, diretor executivo do fundo NascenTI. Segundo ele, um conjunto de fatores levou a Confrapar a se decidir pelo investimento. O primeiro, segundo ele, foi o tamanho que o mercado em que a Fisgo atua pode alcançar. “Com o crescimento da renda do brasileiro, o mercado de venda de imóveis e veículos está mais aquecido”, afirma.

Além disso, Arruda diz que foram analisados outros fatores, como o modelo financeiro da empresa, as capacidades da equipe e a inovação, que é fator essencial para receber investimento, já que o fundo NascenTI faz parte do Programa Inovar, da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. E, claro, a possibilidade de saída. “Esse é um fator muito importante para investir em uma empresa e, no caso do Fisgo, já temos compradores em potencial para quando decidirmos sair do negócio”, afirma Arruda.

O próximo investimento do fundo, segundo ele, está praticamente fechado: será em uma empresa de games, e a parceria pode ser anunciada ainda em abril. Também estão adiantadas as conversas com uma startup do setor de educação, de acordo com Arruda. Para os próximos investimentos, ele diz quais setores estão no radar da Confrapar: “Queremos muito investir em uma empresa de saúde e também estamos de olho no setor de energia, por exemplo em óleo e gás ou energia eólica”, revela.

Nova ferramenta

A Fisgo pretende dar um salto em seus serviços com o investimento recebido do Confrapar. Além de usar a verba para ampliar o marketing e o pessoal, os empreendedores estão criando um novo serviço que vai incrementar a atuação do site. As ofertas continuam, mas passará a funcionar também uma ferramenta para oferecer clientes aos vendedores, e não mais apenas encontrar anúncios para os candidatos a compradores.

“O serviço, batizado de Bem Direto, vai funcionar assim: o internauta vai procurar no site o apartamento que ele quer. Se ele não encontrar, vamos avisar uma rede de corretores de imóveis de que há um cliente não atendido. Quem tiver um imóvel com o perfil procurado poderá comprar de nós o contato com o internauta”, explica Frederico Alves, CEO do Fisgo.

No caso dos veículos, o sistema vai se aplicar a modelos zero quilômetro e funcionar de maneira um pouco diferente, segundo Eduardo Rodrigues, CIO do Fisgo. “O comprador vai nos dizer que modelo quer e vamos fazer a pesquisa em diferentes concessionárias. Se o resultado da pesquisa for interessante, ele paga pela informação de onde está o vendedor com o melhor preço”, explica. Segundo ele, o novo serviço deve mudar a composição da receita do site, que hoje se baseia somente no redirecionamento de cliques para os sites parceiros. “Hoje ganhamos pouco por muitos cliques. No novo formato vamos passar a ganhar mais a cada venda, mesmo que elas venham em menor volume”, explica.

Esse, os empreendedores acreditam, vai ser o grande salto da empresa. “Queremos ter o melhor serviço e lançá-lo antes de qualquer concorrente”, resume Alves. O modelo já é bem sucedido nos Estados Unidos, de acordo com os sócios, mas o Brasil ainda não tem nada parecido. E no que depender dos empreendedores e da confiança dos investidores da Confrapar, o Fisgo está correndo para ocupar esse espaço no mercado brasileiro o quanto antes.
 

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