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Dados do Sebrae-SP mostram que 58% das micro e pequenas empresas fecham antes de completar cinco anos; em 2000, eram 71%

A sobrevida das micro e pequenas empresas melhorou. Pesquisa realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) mostra que a taxa de mortalidade nos cinco primeiros anos de atividade desse segmento empresarial está em 58%. O dado é alarmante, mas demonstra uma queda elevada na comparação com 2000. Naquele ano, 71% das empresas abertas fechavam as portas antes de completar cinco anos.

A nova pesquisa revela, inclusive, melhora na comparação com o levantamento do ano passado, quando 62% das empresas não estavam mais em atividade passados cinco anos. A mortalidade no primeiro ano de existência, no entanto, manteve-se estável em 27%, quando comparada com o levantamento anterior do ano de 2009.

Taxa de mortalidade das empresas paulistas

Percentual de fechamento nos cinco primeiros anos de atividade

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Fonte: Sebrae-SP

A Nanox, de São Carlos, e a Galvão Impressão Digital, de Campinas, ambas cidades do interior de São Paulo, são exemplos da vitalidade empresarial mostrada pela pesquisa. As duas foram criadas em 2005.

A Galvão produz banners, outdoors e adesivos para carros e atende agências de publicidade e propaganda, construtoras, shoppings e hipermercados. A empresa exigiu cerca de R$ 200 mil em investimento inicial, mas está faturando uma média de R$ 30 mil por mês, com o trabalho de oito funcionários.

A Nanox atua em nanotecnologia e desenvolve produtos antimicrobianos usados em secadores de cabelo, tapetes e material para horticultura. Em seis anos, a empresa já exporta 40% da produção. Segundo Gustavo Simões, sócio da Nanox, a companhia prevê faturar R$ 3 milhões em 2010, mais que o dobro do R$ 1,3 milhão obtido no ano passado.

Causas do fechamento

Segundo o Sebrae, diversos fatores causam o fechamento das empresas. Os principais são a ausência de comportamento empreendedor e planejamento prévio adequado por parte do empresário, insuficiência de políticas publicas de apoio aos pequenos negócios, deficiências no processo de gestão empresarial, além de dificuldades econômicas e os impactos de problemas pessoais sobre o negócio.

A diminuição da mortalidade empresarial em cinco anos foi possível graças ao ambiente econômico favorável. “Além da manutenção do controle da inflação e do crescimento da economia no período, o indicador de obtenção de empréstimos para abrir uma empresa subiu de 6% em 2000 para 14% em 2007”, afirma o Sebrae, em nota que acompanha a pesquisa.

Quando questionados sobre as dificuldades enfrentadas no primeiro ano de atividade da empresa, os empresários revelaram que a falta de clientes (citada por 29%) e capital (21%), concorrência (5%), burocracia e os impostos (7%) são as principais. Sobre a maneira de obter financiamento para montar os negócios, entre 2003 e 2007, foi apontado o uso de recursos próprios, seguido por empréstimos em bancos, negociação de prazos com fornecedores e cartão de crédito.

O estudo também mostrou uma mudança significativa no perfil do gestor paulista registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Segundo os dados, entre os que abriram suas empresas em 2007, 83% possuem ensino médio completo ou mais, um aumento de 13% com relação a 2000.

Conforme pesquisa, 84 mil empresas fecham anualmente, o que representa 348 mil ocupações a menos, uma perda de faturamento da ordem de R$ 18,2 bilhões.

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