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As lições de inovação de Steve Jobs – e como aprender com elas

Carmine Gallo, autor de "Inovação, a arte de Steve Jobs”, diz ao iG que "pense diferente", o lema da Apple, não é só publicidade

Patrick Cruz, iG São Paulo |

Bastou Steve Jobs mudar um detalhe de sua vestimenta espartana para que o burburinho se alastrasse na velocidade de um rastilho de pólvora. O tênis-jeans-blusa-preta de sempre transformou-se à época da apresentação do iCloud : a casimira de gola alta passara a ser um suéter, igualmente preto. É possível que muitos dos Apple-aficionados não saibam diferenciar uma peça da outra, mas a apresentação fez com que a demanda pelo modelo fabricado Von Rosen, agora adotado por Jobs, suplantasse o número de suéteres disponíveis para venda.

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Se Steve Jobs mostrou-se influente em um campo em que nem de longe ele é uma sumidade, que se assimilem seus ensinamentos em feitos menos comezinhos. Reside aí o esforço de "Inovação – A arte de Steve Jobs" (Lua de Papel, 256 páginas, R$ 29,90), livro do norte-americano Carmine Gallo lançado há pouco o Brasil.

Gallo lançou em 2010 "Faça como Steve Jobs", no qual discorre sobre a notável habilidade do fundador da Apple como comunicador - ou, em outras palavras, como vendedor de seu peixe. Agora, o autor toma o lema da Apple , "pense diferente" ("think different"), para tentar incutir em pessoas comuns as lições do empresário no campo da inovação . O termo significa "uma nova maneira de fazer algo que resulta em uma mudança positiva", explica o autor - nem que esse algo diferente seja uma nova viagem ou contratar uma pessoa com ideias diferentes das suas.

Leia a seguir a entrevista de Gallo ao iG:

iG: Steve Jobs é conhecido como um grande inovador – há até quem o considere um gênio. O que o faz diferente de outros inovadores igualmente brilhantes?
Carmine Gallo: A diferença é simples: Steve Jobs consegue articular suas ideias melhor que a maioria dos inovadores. Isso é crucial. Você pode ter a melhor ideia do mundo, mas se você não consegue comunicar seu ponto de vista, essa ideia não interessa.

iG: Em “Faça como Steve Jobs”, o senhor descreve as incríveis habilidades de Jobs como um comunicador. Ele seria considerado tão inovador se não fosse o comunicador único que é?
Gallo:
Sim, ele seria considerado um grande inovador, mesmo que não fosse um bom comunicador. Mas será que seus produtos teriam capturado nossa imaginação se ele não se “vender” tão bem quanto o fez? Talvez não. Steve Jobs tem uma visão de como as pessoas querem usar computadores. Em 1976, ele sabia que para que os computadores fossem adotados por pessoas comuns, eles precisariam ser muitíssimo mais fáceis de usar. Lembre-se que o Mac foi o primeiro computador pessoal de sucesso com uma interface gráfica, mouse e fontes bonitas. Steve Jobs nos deu produtos simples e elegantes como o iPod, iPhone, iPad e os Macs. Todas essas são inovações. Além disso, não vamos esquecer que Steve Jobs inovou no varejo com a Apple Store. Como um inovador, ele vai entrar para a história. Mas tão importante quanto isso é ele vender seus produtos por meio de uma mensagem eficaz dos benefícios por trás desses produtos. Por exemplo: quando todos especulavam que a Apple iria lançar um tablet antes do lançamento oficial do iPad, muitos especialistas se mostravam céticos. Eles se perguntavam: “por que precisamos de um terceiro dispositivo, um intermediário entre o notebook e o smartphone?” Até o fim de uma apresentação de 90 minutos sobre o iPad , já havia muito poucos críticos.

iG: Qualquer um pode se tornar uma pessoa inovadora?
Gallo:
Sim. Inovação significa simplesmente “uma nova maneira de fazer algo que resulta em uma mudança positiva.” Suas inovações podem não levar a um produto revolucionário como o iPad, mas se isso resultará em uma mudança positiva – nem que seja apenas para a sua carreira –, isso já será uma inovação. Ao estudar os princípios que guiam as pessoas como Steve Jobs, podemos mover os nossos negócios e vidas para a frente.

iG: De acordo com as suas conclusões, o lema da Apple, “Think different” (“Pense diferente”), não é apenas uma frase publicitária, mas também uma lição que pode ser aprendida. Para as pessoas comuns, esse não é um conceito um pouco vago?
Gallo:
Eu concordo que temos que ser específicos. É por isso que eu discuto os sete princípios que têm norteado Steve Jobs em toda a sua vida e que o levaram a “pensar diferente” em cada guinada. Um capítulo do livro chama-se “Pense diferente sobre... como você pensa.” Steve Jobs acredita que a criatividade e a inovação são alcançados interligando as coisas. Ele crê que um amplo conjunto de experiências leva-nos a tomar decisões que outras pessoas podem ter deixado passar. Isso significa aproveitar a oportunidade para viajar, assistir a conferências, contratar pessoas com diferentes formações e habilidades ou ter aulas sobre assuntos que podem não ter relação direta com seu trabalho atual, mas pelos quais que você está apaixonado.

Divulgação
O autor Carmine Gallo
iG: O “Pense diferente” pode ser descrito também como uma frase de auto-ajuda? Seria talvez uma variação de algo como “pense positivo”?
Gallo:
Eu encaro “Inovação...” como um livro de auto-ajuda. É um livro de negócios, de inovação, de comunicações, mas, acima de tudo, é inspirador. Steve Jobs nos deu um dos discursos mais inspiradores na história contemporânea quando se dirigiu aos alunos da Universidade de Stanford em 2005. Ele disse: “Seu tempo é limitado. Portanto, não o desperdicem vivendo a vida de alguém. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir seu coração e intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar.” Acho isso incrivelmente inspirador.

iG: Ainda que Steve Jobs seja um grande inovador, em que aspecto o senhor acha que ele poderia ser melhor? Ele tem um ponto fraco?
Gallo:
Eu não chamaria isso de ponto fraco porque tem funcionado bem para Jobs, mas eu gostaria que ele fosse um pouco mais aberto na maneira como ele lida com os desafios – tanto profissional como pessoalmente. Ele é muito reservado. Steve Jobs é considerado um dos CEOs mais reclusos do planeta. Todos nós poderíamos aprender muito com ele, mas ele não gosta de falar. Ele está cercado por um círculo pequeno de pessoas, e ele não é uma figura pública sob qualquer aspecto.

iG: O senhor acha que Steve Jobs já atingiu o topo de sua carreira ou ele ainda está a caminho de criar sua obra-prima?
Gallo:
Eu nunca subestimaria sua visão e sua habilidade para trazer isso ao mundo. Mas, se ele simplesmente nos deixar com o Mac, iPods, iPhones, iPads, Pixar e as Apple Stores, eu diria que ele já fez muita coisa.

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