Inteligência de negócios e análise preditiva foram os ingredientes principais adotados pela paranaense Zacarias Veículos em sua receita para superar a retração econômica e manter a lucratividade

A Zacarias antecipou-se aos principais desdobramentos da crise no Brasil e passou a renegociar contratos com fornecedores
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A Zacarias antecipou-se aos principais desdobramentos da crise no Brasil e passou a renegociar contratos com fornecedores

Perspectivas de vendas negativas, baixo crescimento, inflação e câmbio em alta, investidores pessimistas e consumidores com o pé no freio. Em meio ao pessimismo geral enfrentado por empresários dos mais diversos segmentos, o mercado automotivo pode ser encarado como um dos mais afetados pelos obstáculos impostos pelo atual cenário econômico do país - que desponta como um dos mais fracos das últimas décadas para a indústria e o comércio. Contudo, há quem encontre oportunidades em momentos como esse.

É o caso da Zacarias Veículos, que surgiu em 1951 como uma pequena loja de automóveis na cidade de Maringá (Paraná) e que soma atualmente um total de 19 concessionárias, empregando 868 funcionários no interior paranaense. A empresa, que superou momentos adversos da economia brasileira, aprendeu com seus próprios erros e acertos que medidas preventivas são o segredo para se manter ativo nos negócios mesmo em tempos de instabilidade.

Decidida a encarar de frente os desafios da atual conjuntura do país e antenada às soluções tecnológicas, o grupo se apoiou em um software de inteligência de negócios, mais conhecida no mercado como Business Intelligence (BI), para efetuar uma análise dos processos internos e assim avaliar as melhores opções para a redução de gastos financeiros. Por meio de indicadores de desempenho, a Zacarias passou a ter acesso a indicadores estratégicos para a tomada de decisão em um momento em que uma a rapidez se mostrou crucial para a manutenção da saúde do negócio.

“Uma ferramenta de BI bem afinada com o negócio pode fornecer toda informação necessária para tomada de qualquer decisão. Tudo depende de quão bem o sistema está configurado para trazer as informações da melhor maneira. Certamente se não tivéssemos essa tecnologia, as decisões não teriam ocorrido no tempo certo ou teríamos errado muito mais” diz Kleber Ravaneda, Gestor Administrativo da Zacarias.

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Surfar na onda ou ser engolido por ela

O momento de aperto traz obriga empresas a rever conceitos e atitudes para se tornarem melhores. O uso da tecnologia como aliada na busca por saídas para enfrentar dificuldades, ajustar estratégias e alavancar negócios não é novidade.  

Segundo Luciana Paiva, Diretora de Negócios para a América Latina da Targit, especializada em BI, o investimento médio inicial em uma solução de inteligência de negócios gira em torno de R$ 30 mil – preço que nem sempre os empresários querem pagar. “O que muitos deixam de perceber é que esse tipo de tecnologia coloca todas as informações estratégicas para a gestão de uma empresa em um único lugar e permite fácil acesso aos dados atualizados todas as vezes que um gestor precisar tomar uma decisão de negócio”, afirma Luciana.

Segundo a especialista, o software de BI permite ao gestor uma visão apurada dos maiores ganhos e as piores perdas, além de simular diferentes cenários. E esse tipo de recurso, em especial no caso de empresas que comercializam produtos para o consumidor final, pode representar a diferença entre sobreviver ou ser engolido pela crise.

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Ravaneda concorda. Ainda em janeiro, a Zacarias antecipou-se aos principais desdobramentos da crise no Brasil e passou a renegociar contratos com fornecedores. Ao agir proativamente no controle de custos, processos e resultados de cada uma das concessionárias da marca, conseguiu adequar sua estrutura para que as consequências da retração econômica não gerassem impactos diretos à continuidade dos negócios.

Assim, enquanto muitos dos concorrentes se viram pressionados a demitir um grande contingente de funcionários e diminuir consideravelmente seu número de unidades – ou fechar totalmente as portas – a empresa se manteve estável graças à capacidade de análise preditiva trazida pelo BI.

“A tecnologia passou a ser fundamental para a gestão do negócio, pois entendendo que não seria possível aumentar o faturamento teríamos então que focar na redução dos custos. Com isso criamos uma série de análises que nos possibilitou acabar com alguns desperdícios. Conseguimos entender melhor o porquê de tantas horas extras, questionar despesas desnecessárias e simplificar processos até então nunca questionados e onerosos”, explica Ravaneda.

Como resultado do investimento em tecnologia, a expectativa da Zacarias é faturar cerca de R$ 600 milhões neste ano, cerca de 25% menos em comparação a 2014, mas mantendo a mesma lucratividade. “Acreditamos que a partir de 2017 a economia volte a melhorar para podermos seguir em ascensão”, prevê o gestor.

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