De R$ 300 a R$ 5 milhões: festas universitárias abrem portas para empreendedores

Por Bárbara Libório - iG São Paulo |

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Em sete anos, empreendedores realizaram mais de 1.500 eventos e transformaram negócio em franquia

Sócios Viva Eventos
Marcelo Gonçalves (à esq.), Mylliano Salomão, Renato Filgueiras, Vitor Pedrosa e Fernando Sotrate, da Viva Eventos

Quando organizam pela primeira vez uma festa universitária, na Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Marcelo Gonçalves, de 30 anos, Mylliano Salomão, de 33 anos, Renato Filgueiras, Vitor Pedrosa e Fernando Sotrate, de 31 anos, eram calouros nos cursos de Direito, Odontologia e Administração. A cervejada trouxe lucro de R$ 300 para cada.

Hoje, os cinco mineiros sãos sócios em uma empresa de organização de eventos que deve faturar R$ 5 milhões este ano, tem 12 franqueados e atende 60 cidades do Brasil.

“Naquela época, em 2001, as festas de faculdade reuniam umas cem pessoas. Na festa que organizamos, conseguimos reunir 750. Vimos que aquilo tinha potencial”, conta Pedrosa.

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Depois de organizar cervejadas, shows e micaretas, os cinco amigos se reuniram para fazer parte da comissão de suas formaturas. “Colocamos bateria de escola de samba, que não existia naquela época, atores em pernas de pau e drinks flamejantes, entre outras novidades.”

Com o sucesso da festa e do fim da graduação, os cinco resolveram abandonar as profissões para investir no talento. Em 2007, montaram uma empresa de organização de evento, a Viva Eventos, com foco em realização de formaturas, e colocaram um prazo de dois anos para que o empreendimento desse certo. Caso contrário, voltariam para o mercado corporativo.

“Tínhamos uma meta de realizar 50 formaturas no primeiro ano. Em 9 meses, tínhamos 104 festas realizadas”, conta Filgueiras.

Mas largar tudo para empreender não foi assim tão simples. “Minha mãe queria que eu fosse juiz ou promotor. Naquela época, nossa faculdade era a melhor do Brasil em Direito”, diz Renato. Ele afirma que grande parte da pressão se dava pelo fato do mercado de eventos ainda não estar consolidado no País.

Concorrentes tentaram barrar empresa

Depois de três anos investindo no empreendimento, os cinco sócios resolveram expandir a operação. Levaram a empresa para uma nova sede, em Belo Horizonte, e apostaram em uma estratégia agressiva de negócios.

“Fomos para cima das principais faculdades e dos maiores cursos de Belo Horizonte. Muitos fecharam festas com a gente. Começamos a incomodar os concorrentes”, conta Filgueiras.

Quando fizeram um grande showroom para apresentar a empresa aos belo-horizontinos, o mineiro afirmam que as companhias concorrentes se mobilizaram para barrá-los.

“Elas se reuniram, fecharam acordos com fornecedores, fizeram vendas casadas. Tivemos que entrar na Justiça”, diz.

Para convencer os mineiros da capital, eles também começaram a dizer que eram de Belo Horizonte. “Juiz de Fora é grande, mas tem fama de cidade pequena. Quando começamos a falar que éramos da capital, nossos negócios cresceram.”

Empreendedores apostam no modelo de franquia

Em 2012, a empresa de eventos, com a ajuda do Sebrae, formatou um modelo de franquias. A primeira foi vendida para uma franqueada de Ipatinga (MG), que hoje já tem uma nova unidade em Governador Valadares (MG).

“As franquias são voltadas totalmente para a organização de formaturas. Tentamos passar para os franqueados nosso conhecimento em vendas, atendimento ao cliente e execução de eventos. A emissão dos boletos é a franqueadora que faz e também organizamos um banco de fornecedores nacionais, regionais e locais para garantir a qualidade do evento”, explica Pedrosa.

Hoje, a empresa tem 12 unidades franqueadas que atendem 60 cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O investimento inicial é de R$ 100 mil e o retorno se dá entre 18 e 36 meses.

“Nossa meta agora é expandir a operação para o interior de São Paulo, para as principais capitais do país e para cidades universitárias. Já realizamos mais de 1.500 eventos em sete anos”, diz.

Os sócios contam que a amizade resistiu ao negócio. “São 13 anos de convivência. Nas reuniões a gente briga, mas depois saímos e tomamos uma cerveja juntos”, conta Pedrosa.

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