Startup brasileira consegue autorização da Anac para voar drones

Por Patrícia Basilio - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Xmobots desenvolve aviões não tripulados para monitoramento aéreo e fatura R$ 1,2 milhão

Divulgação
Giovani Amianti, um dos sócios da Xmobots

A paixão pela aviação e o conhecimento técnico em programação obtido na faculdade de engenharia da Universidade de São Paulo (USP) foram fundamentais para que Fabio Assis, 31 anos, decolasse no mercado com a Xmobots, startup que fabrica veículos aéreos não tripulados (VANTs) — mais conhecidos com drones.

VEJA TAMBÉM:

Bill Gates cria startup que transforma o lixo nuclear em energia

'Cerca de 80% das startups falham no Vale do Silício', diz consultor americano

Conheça os segredos de cinco startups milionárias

Lançada em 2007 dentro da incubadora do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), a empresa — administrada por três jovens formados pela Universidade de São Paulo (USP) — faturou R$ 1,2 milhão nos últimos 12 meses e deve chegar a R$ 3 milhões neste ano.

“Fazia iniciação científica com o Giovani Amianti [um dos sócios da empresa] no laboratório de robótica quando decidimos abrir a startup. Ele tem a experiência com aviões e eu, as técnicas de programação”, recorda Assis.

Apesar de não haver guerra no Brasil — os VANTs são bastante utilizados no setor bélico —, Amianti encontrou um mercado promissor para vender os drones nos segmentos de monitoramento aéreo de terrenos de grandes dimensões (tanto agrícolas quanto urbanos), mapeamento de preservação de áreas, segurança pública e vigilância de obras. Há três modelos de aviões: Echar, Apoena e Nauru (veja imagens e mais informações sobre cada um deles abaixo).

“O projeto que deu vida à empresa surgiu de uma necessidade do mercado de linhas de transmissão de energia”, acrescenta Assis.

Echar é um mini Vant de apenas seis quilos destinado à vigilância de áreas médias . Foto: DivulgaçãoApoena 1.000 é um drone de 32 quilos para monitoramento aéreo. Foto: DivulgaçãoNauru 500, aeronave de 15 quilos, destinado ao setor agrícola. Foto: DivulgaçãoGiovani Amianti, um dos sócios da Xmobots. Foto: Divulgação

Como a empresa ainda está nos seus estágios iniciais, a produção de um VANT leva de três a seis meses. Também não há estoque. A entrega é sob demanda. Com 15 funcionários, a startup está localizada em São Carlos (a 232 km da capital), em um fábrica de 300 m².

“Não temos dinheiro para comprar as peças, nem espaço para estocar os aviões. Recebemos um sinal para, então, produzirmos o drone.”

Para se ter uma ideia, um avião básico da Xmobots custa a partir de R$ 120 mil, podendo chegar a R$ 500 mil, dependendo das funcionalidades do modelo. Apesar do preço, Assis afirma já ter pedidos fechados até o final deste ano.

Já na nova sede, fora do Cietec, a XMobots tornou-se a primeira empresa do Brasil a obter o Certificado de Voo Experimental (CAVE) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para um VANT privado e de uso civil. Com o documento, emitido para a aeronave Nauru 500, a companhia foi autorizada a voar um drone em território nacional.

“Esse é o primeiro passo que uma empresa fabricante de VANTs precisa dar para atingir o objetivo de operar comercialmente os aviões. Nosso objetivo agora é continuar aprimorando o equipamento e, ao mesmo tempo, demonstrar para a Anac o seu nível de confiabilidade”, explica Giovani Amianti, também sócio da empresa.

Apesar do crescimento da empresa, os sócios não pretendem desenvolver novas aeronaves. O foco agora está em obter mais certificações, afirma Assis. “A chave para uma empresa de aviação ter sucesso é ter esses documentos. O da Anac é a mais simples de todos. Temos um caminho bem longo pela frente”, prevê o empreendedor.

Veja a decolagem e aterrissagem de um drone no vídeo abaixo:


Leia tudo sobre: Seu Negóciodronesmonitoramento aéreostartupmaislidas

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas