Publicidade
Publicidade - Super banner
Finanças Pessoais
enhanced by Google
 

Pessoas físicas operam mais com derivativos

A crise financeira mundial levou a uma busca maior por conhecimento a respeito dos mercados

Nelson Rocco, iG São Paulo |

O número de pessoas físicas que negociam contratos de derivativos está em alta. Dados da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) mostram que havia mais de 94 mil CPFs cadastrados em seus sistemas que controlam operações com derivativos em janeiro, o dobro dos 46,7 mil registrados em janeiro do ano passado. “Todos os meses, de 10 a 15 clientes começam a operar com derivativos”, conta Ricardo Pinto Nogueira, diretor de operações da corretora Souza Barros, explicando a elevação.
 

Derivativos são instrumentos financeiros que têm seus preços derivados de algum ativo, como soja, boi gordo, café, dólar e até o Índice Bovespa - que espelha o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa. Uma empresa que tenha dívidas em dólares pode comprar contratos futuros da moeda-americana para se proteger das variações cambiais. Um produtor rural pode vender soja no mercado futuro como forma de “travar” o preço do grão e, no vencimento do contrato, entregar o produto ao seu detentor.

Nogueira afirma que os grandes investidores e os corretores do mercado têm dado liquidez aos minicontratos transacionados pelos pequenos investidores, atuando como formadores de mercado informais. “Tem crescido muito a operação dos minicontratos pelas pessoas físicas”, diz. O minicontrato equivale a uma parcela do contrato-padrão. O mini de Ibovespa, por exemplo, representa 20% do valor do contrato “grande”. Em valores, o contrato-padrão é igual ao total de pontos do Ibovespa em reais. Nos contratos referenciados em dólares, Nogueira afirma que tem percebido um incremento nas operações feitas por empresas de médio porte. Como cada contrato-padrão é no valor de US$ 50 mil e o lote mínimo é de cinco contratos (num total de US$ 250 mil), essa operação se encaixa para empresas que necessitem fazer hedge de dívidas em moeda estrangeira.

Reflexo da crise

Hélio Pio, gerente comercial da Ágora Corretora, atribui o aumento da procura das pessoas físicas pelos instrumentos à crise financeira internacional, que chacoalhou os mercados financeiros mundiais. Segundo ele, com a crise, muitos investidores tiveram perdas, outros ficaram com os ativos em carteira sem saber se vendiam ou não, o que levou a uma busca maior por conhecimento a respeito dos mercados. “Eles foram procurar entender os fundamentos dos mercados”, diz ele, lembrando que muitos passaram a fazer “hedge” de suas carteiras, jargão do mercado financeiro para operações de proteção, feitas exatamente com derivativos.

Paulo Oliveira, diretor-executivo de desenvolvimento e fomento de negócios da BM&FBovespa, atribui o crescimento a diversos fatores. “São várias partes de um todo.” Ele lembra que a Bolsa tem feito campanhas para elevar o número de investidores pessoa física no mercado de ações. A meta é alcançar 5 milhões em cinco anos, quase multiplicando por dez as cerca de 600 mil pessoas que operam atualmente. “Mas não existe um trabalho da Bolsa para incentivar pessoas físicas em derivativos”, ressalva.

Getty Images
Fim do pregão viva-voz na Bovespa levou profissionais a operarem como pessoa física
De acordo com o executivo da BM&FBovespa, o crescimento ocorre porque, com as operações no mercado à vista de ações, os investidores acabam conhecendo os derivativos e partindo para negócios referenciados no Ibovespa. “Mas esse não é um mercado típico para pessoas físicas. É para quem conhece o mercado, sabe que ele tem uma volatilidade muito grande”, explica.

Outro fator de impulso, na opinião de Oliveira, é o fim do pregão viva-voz nos mercados de derivativos, em julho do ano passado. Com isso, um bom volume de profissionais que trabalhavam no pregão como operadores passaram a operar como pessoas físicas. “No mercado agrícola, as pessoas físicas representam um terço dos negócios. Eles são agricultores, que negociam contratos de soja, boi, café”, diz o diretor da BM&FBovespa, listando mais um fator. “No mercado de índice futuro, as pessoas físicas representam 20% do total, sendo que, nos minicontratos, alcançam 88%.”

Fator tecnológico

A criação do sistema DMA (acesso direto ao mercado, na sigla em inglês) pela Bolsa, no segundo semestre de 2008, também ajudou a elevar o total de investidores individuais nos mercados futuros e de opções. Pelo sistema, o aplicador tem acesso direto ao pregão, interligado por meio de uma corretora. “O DMA funciona como o ‘home broker’, mas para F”, conta Roberto Lombardi de Barros, diretor da Interfloat HZ Corretora.

“Como os derivativos são muito voláteis, o processo anterior de negociação, via mesa, não permitia o crescimento significativo das operações, já que era impossível atender muitos clientes ao mesmo tempo. Com o DMA, a operação não passa mais pela mesa”, afirma Lombardi. “Um cliente pessoa física tem as mesmas condições de acesso ao mercado que a tesouraria de um grande banco.”

Getty Images
Sistema DMA permite operações com derivativos via homebroker
O diretor da Interfloat conta que sua empresa trabalha, basicamente, com pessoas físicas. Tem entre 800 e 1.000 clientes, sendo que 40% operam com derivativos, principalmente com minicontratos de dólar e de Ibovespa. “Em índice, fechamos cerca de 70 mil contratos por dia”, afirma.

O mercado de derivativos tem números gerais de espantar. Segundo dados da BM&FBovespa, em janeiro foram transacionados R$ 2,654 trilhões nos mercados agrícolas e financeiros, 8,2% acima dos R$ 2,453 trilhões do mesmo mês de 2009. Somente os contratos agrícolas somaram R$ 3,7 bilhões em janeiro, enquanto os negócios com os minicontratos futuros de Ibovespa chegaram a R$ 14,55 bilhões.

 

Leia tudo sobre: derivativosBM&FBovespaaçõescontrato mini

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG