Atualmente, 22,4 milhões podem comprar um modelo popular. Há sete anos, percentual era de 17,04%, diz estudo

De um universo de 57,7 milhões de famílias no Brasil, 22,4 milhões têm condições de comprar um carro popular, o que corresponde a 38,37% do total. Em 2003, o percentual era 17,04%. Os números foram apresentados em um estudo do banco Santander, que avaliou o preço dos automóveis, a renda dos brasileiros e o acesso ao crédito.

Tanto preço, como renda e crédito contribuíram para que mais famílias pudessem adquirir um automóvel. Ao mesmo tempo em que o preço do carro novo subiu menos do que a inflação, a renda cresceu significativamente e o crédito para financiamentos ficou mais acessível.

Hoje, 38,37% das famílias brasileiras têm capacidade de destinar 30% da renda familiar para a parcela do carro. O cálculo considera uma renda familiar média de R$ 2.724,04 e uma parcela de R$ 593,68. Esse percentual corresponde a 22,4 milhões de famílias.

Como em 2003 eram 8,24 milhões - de um total de 48,39 milhões de domicílios -14,2 milhões de famílias passaram a ter condições de adquirir um automóvel novo nos últimos sete anos.

Quando consideradas apenas as famílias que ainda não tem carro, 7 milhões poderiam comprar um modelo novo, se quisessem, segundo o estudo. Apenas para efeito de comparação, a estimativa da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) é que este ano sejam vendidas 3,4 milhões de unidades no País.

O primeiro fator que favoreceu a compra do carro foi reajuste do preço dos veículos abaixo da inflação. De junho de 2003 até agosto de 2010, o valor dos modelos populares novos subiu 12,19%, segundo o estudo, que cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto isso, a inflação foi de 43,85% no período.

Ao mesmo tempo, a renda média dos brasileiros avançou 49,9% desde 2003, o que tornou ainda mais fácil comprar o carro novo. Em agosto deste ano, a renda bruta dos domicílios brasileiros era de R$ 2.724,04, em média, contra R$ 1.817,01 há sete anos, diz o estudo. “O automóvel ficou relativamente mais barato do que o trabalho”, diz o estudo.

Parcelas menores

As facilidades para a obtenção do crédito são o terceiro aspecto favorável à compra do veículo novo. Com a queda dos juros, a cobrança sobre o dinheiro que as famílias tomam emprestado caiu. Em 2003, a taxa média era de 3,2% ao mês, de acordo com o Banco Central. Agora, o juro para a compra de veículos é, em média, de 1,8% ao mês.

Além do juro menor, o prazo ficou mais longo. O Santander e a Anef estimam que o prazo máximo passou de 60 meses em 2003 para 72 meses em 2010.

Esses dois fatores acabaram contribuindo para que as parcelas mensais para financiar um carro novo ficassem menores. A queda foi de 25,77%, segundo o banco, passando de R$ 799,82 há sete anos para R$ 593,68 este ano.

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