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Finanças Pessoais
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Volta do IPI deixa carro usado mais atrativo

Hora de comprar é agora, enquanto há excesso de oferta e veículos estão baratos

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Elias Inácio Naves, analista em uma empresa de embalagens no interior de São Paulo, vendeu seu Gol 1994 no início de março deste ano para comprar um Fiat Uno Mille Economy novo. “Ele fez um mau negócio”, diz, sem hesitar, Otto Nogami, professor de ambiente econômico global do Insper. O ideal, segundo Nagami, seria que Elias tivesse esperado um pouco. “Com a volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os veículos novos, o mercado de carros usados tende a ficar aquecido, e os preços devem subir”, afirma.

A partir desta quinta-feira, o IPI volta a incidir sobre os automóveis novos. A redução do imposto entrou em vigor na segunda quinzena de dezembro de 2008, com o objetivo de incentivar a venda dos automóveis diante de um cenário de crise econômica mundial. Os números do ano passado mostram que a medida funcionou. Em 2009, as vendas de carros “zero quilômetro” somaram 3,14 milhões no Brasil, 11% acima do total de 2008, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O Brasil foi um dos poucos mercados que tiveram expansão no período.

AE
Carros usados são boa pedida no momento
A partir do momento em que o imposto volta a ser cobrado, as concessionárias recebem novas tabelas das montadoras e começam a trabalhar com preços reajustados. A expectativa do mercado é de que os valores subam de 3% a 5%. Ou seja, além de vender seu carro a um valor baixo, Elias vai comprar um novo mais caro. Até quarta-feira, o modelo de Uno Mille mais barato era anunciado pela Fiat por R$ 23,1 mil. Considerando as previsões do mercado, o valor deverá ter um acréscimo de R$ 600 a R$ 1,1 mil a partir desta quinta-feira.

A melhor saída para quem quer comprar um carro novo a partir de agora é esperar alguns meses. “Daqui a pouco, os preços devem voltar a cair”, diz Nogami. Isso porque, como a produção não vai parar, as montadoras e concessionárias terão que abrir mão de suas margens para vender as unidades novas e em estoque. “Logo farão campanhas promocionais atrativas”, afirma. O tempo para que isso aconteça, e o mercado encontre novos preços de equilíbrio, na estimativa do professor, é de três a seis meses. “Os brasileiros têm o carro ‘zero’ como sonho de consumo. Os movimentos no mercado dependem de quanto tempo eles vão resistir para comprar”, diz.

Hora de comprar usados é agora

Se o objetivo do consumidor é adquirir um carro usado, vale a pena comprar imediatamente. “Se esperar de 15 a 20 dias, pode ser tarde demais”, diz o professor do Insper. Neste momento, há um excesso de oferta, então os automóveis usados e seminovos ainda estão baratos, segundo Nagami. “Assim que a demanda esquentar, os usados e seminovos ficarão mais caros.”

Também é esperado que alguns revendedores deem uma ‘mãozinha’ no ajuste do mercado, forçando os preços para cima. “Não subiremos os seminovos na mesma proporção dos veículos zero quilômetros, mas os preços acompanharão um pouco sim”, diz o vendedor de uma loja de novos e seminovos que preferiu não se identificar.

Mesmo com a tendência natural de valores mais altos, há quem garanta que não elevará seus preços. Paulo Takata, dono da loja Meta Veículos, de Ribeirão Preto (SP), está entre os que acreditam que a volta do IPI não levará os revendedores a alterar suas tabelas. “A nossa expectativa é de que o mercado de carros usados fique mais aquecido agora, mas não vamos aumentar os preços”, afirma. Segundo ele, de janeiro até agora, o que mudou foi o “efeito do IPVA” (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). “Estávamos vendendo um carro de R$ 21,5 mil por R$ 20 mil para compensar o imposto para nosso cliente. Agora, vamos voltar a pedir os R$ 21,5 mil”, diz.

Algumas revendedoras também dizem que tentarão alavancar ainda mais suas vendas fazendo promoções. É o caso da Somar Automóveis, de São Paulo, que fez uma parceria com uma instituição financeira para, a partir de 8 de abril, oferecer financiamentos de carros em até 72 vezes.

Melhor esperar para vender

Quem está do outro lado da mesa - e quer vender o carro usado - deve esperar o aquecimento do mercado para conseguir um negócio melhor. Os revendedores ainda têm grandes estoques e, nas próximas semanas, não conseguirão comprar a preços altos.

“Com o fim do IPI reduzido, o dono do carro passa a ter a idéia de que seu carro valorizou de um dia para outro”, diz Gabriel Passoni, da revendedora Nova Roma Veículos, de Santa Rosa de Viterbo (SP). Assim como o professor Nogami, Passoni acredita que o mercado levará até seis meses para se ajustar. “Na hora de avaliarmos o carro para a compra, vamos ter que falar para o cliente que as mudanças demoram um pouco”, diz.

 

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