Endividamento na compra de bens de consumo duráveis pode ser vantajoso se retorno do ganho superar o custo, diz especialista

Dívidas com bens de consumo duráveis - como carro - podem ser vantajosas
Carol Guedes/AE
Dívidas com bens de consumo duráveis - como carro - podem ser vantajosas
A palavra endividamento gera calafrio em praticamente todo mundo. Mas, passada a primeira impressão, nem sempre estar endividado pode ser ruim. Se o objetivo do endividamento gerar mais ganhos – financeiros ou não – que os custos do financiamento, pode-se dizer que a dívida é boa. “A dívida, em si, não é ruim”, diz Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

Endividado é aquele que, de forma voluntária, toma recursos emprestados para adquirir ou pagar um bem, assumindo compromissos financeiros futuros. Segundo Pina, o endividamento para compras de bens de consumo duráveis de maior valor agregado pode ser positivo. O mesmo vale para dívidas com educação. “Se o ganho com o uso do bem for maior que o custo dele, vale a pena endividar-se”, diz.

Dados divulgados pela Fecomercio mostram que o endividamento do consumidor paulistano teve leve queda no mês de agosto, ficando em 50% das famílias – um recuo de 2 pontos percentuais frente ao mês anterior. Ao todo, 1,8 milhão de famílias de São Paulo estavam endividadas no mês. Entretanto, do grupo dos endividados, 5% das famílias estavam inadimplentes – condição de quem está com alguma conta em atraso.

Fábio Pina evita falar em percentual ideal de endividamento dentro do orçamento familiar – normalmente, fala-se em algo em torno de 25% a 30% da renda. “Para quem ganha R$ 1 mil, ter dívidas de R$ 300 é muita coisa. Já para quem ganha R$ 100 mil, dever R$ 30 mil não é tanto.”

Dados da Cetelem – braço financeiro do banco francês BNP Paribas – mostram que o pagamento de prestações respondeu pelo segundo maior gasto mensal das famílias brasileiras com itens não essenciais, com R$ 64. O item é superado apenas por vestuário, com R$ 102 mensais. As famílias de classe AB gastaram, em média, R$ 122 mensais com o pagamento de prestações, enquanto a classe C
pagou R$ 73 e as classes DE, R$ 25.

O pagamento de crédito bancário, por sua vez, “mordeu” R$ 34 das famílias – sendo que, nas classes mais altas, o total foi de R$ 96 ao mês -, enquanto pagamento de prestações em loja foi de R$ 8.

“A dívida com produtos supérfluos é muito mais nociva para o orçamento do que bens de primeira necessidade, principalmente os duráveis”, afirma o assessor econômico da Fecomercio.

Segundo Fábio Pina, o endividamento atravessa um momento de acomodação nos últimos meses, ficando entre 50% e 52% da população de São Paulo. “A tendência é de alta no nível de endividados no médio e longo prazo, porque há uma forte oferta de crédito na economia”, completa.

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