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O que esperar dos investimentos para 2010

Juros sobem um pouco, dólar oscila _mas sem susto_ e bolsa em alta: este é o cenário para os investidores, segundo especialistas

Cláudio Gradilone, colunista do iG |

Bons resultados para a renda fixa, perspectivas razoáveis _mas arriscadas_ para as ações e pouco dinheiro no bolso para quem pretender investir no dólar e, por paralelo, no ouro.

Esse, resumidamente, é o cenário para os investimentos em 2010. Ou seja, um ambiente benéfico tanto para quem prefere uma aplicação mais sossegada quanto para quem gosta de risco.

A razão para isso é o cenário macroeconômico. Os especialistas no mercado financeiro acreditam que este ano será extremamente positivo para quase todos os investimentos devido aos bons prognósticos para a economia brasileira.

“As projeções do mercado indicam que a economia deve crescer cerca de 5,2% este ano”, diz Bernardo Wjuniski, economista da consultoria Tendências. “Ou seja, será um ano bom para as empresas, que se beneficiam da expansão do consumo.”

Além disso, diz Wjuniski, surpreendentemente, uma notícia a princípio ruim _o desânimo da economia internacional_ vai ser boA para os investidores daqui. Isso deve ocorrer porque muitos produtos básicos têm seus preços definidos no mercado internacional.

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Bolsa de valores: bom negócio na perspectiva de longo prazo
Itens importantes na cesta básica do brasileiro, como milho, soja, carne, petróleo (que ninguém come, mas que é usado para transportar os alimentos de um lado para outro) dependem dos preços lá fora. Se os estrangeiros compram muito, os preços sobem no Brasil, obrigando o Banco Central (BC) a elevar os juros para manter bem comportados os índices de inflação.

Como os estrangeiros estão com pouco dinheiro em caixa, isso não deve ocorrer. “O fato de o mercado internacional estar comprando menos do que há alguns anos vai manter os preços estáveis por aqui, ou seja, haverá menos necessidade de os juros subirem”, diz Wjuniski.

A seguir, os prognósticos para os principais investimentos.

Juros

A última pesquisa Focus, do Banco Central, mostra que os economistas dos bancos acreditam na alta dos juros para os próximos meses. A taxa deverá subir dos atuais 8,75% ao ano para 11,5% ao ano, alta de 2,75 pontos percentuais. Esses juros são os medidos pela taxa Selic, definida pelo Banco Central.

A taxa Selic é usada principalmente nas relações entre os bancos e o Tesouro Nacional. Quando os bancos compram ou vendem títulos públicos, é essa taxa que define quanto os investidores em renda fixa vão receber.

A taxa Selic é muito parecida com os juros que os bancos pagam aos investidores, chamada taxa dos Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI). “A taxa Selic baliza a taxa CDI, que é a taxa que os bancos negociam com seus clientes”, diz o planejador financeiro certificado Álvaro Dias. Ou seja, quem investir na renda fixa deverá receber algo como 11,5% ao ano, se obtiver uma remuneração parecida com 100% do CDI.

Vale a pena? A inflação prevista para o ano é esperada, na mais pessimista das hipóteses, em 5%. Na ponta do lápis, isso representa 6% ao ano, antes do pagamento de impostos, claro. Depois de acertar a conta com o Leão, supondo-se uma aplicação de dois anos, o investidor vai ganhar 4,5% ao ano, o que é um bom retorno para uma aplicação sem risco.

Parece pouco, mas é um número excelente. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vem mantendo os juros referenciais dos Estados Unidos entre zero e 0,25% ao ano _isso mesmo, juros zero. “No mercado internacional, o investidor que aplica na renda fixa pode comemorar uma rentabilidade de 1% ao ano”, diz Dias. Ou seja, depois de dois anos de retornos muito magros, o investidor na renda fixa poderá contar com uma rentabilidade um pouco mais suculenta.

Dólar

As cotações da moeda americana têm oscilado bastante nos últimos dias, principalmente devido às notícias no mercado internacional. O susto da vez chama-se Grécia. O governo grego, que há anos vem gastando além da conta, está tendo cada vez mais dificuldade para obter empréstimos e pode ter de dar um calote nos credores.

O problema é que a Grécia não é mais um país economicamente isolado. Ela faz parte da zona do Euro, a moeda única europeia, e um calote grego pode afetar a capacidade de outros países europeus de encontrar financiadores. Pior, a Grécia não é um caso isolado _Portugal, Espanha, Irlanda e Itália também estão com problemas. Não por acaso, esses países foram apelidados de Piigs (porcos, em inglês, em que Espanha se escreve Spain).

O que isso tem a ver com o Brasil? Economicamente, muito pouco: a Grécia não é um grande importador do Brasil. No entanto, o impacto financeiro é bem maior. “Um calote grego travaria os fluxos internacionais de dinheiro”, avalia Jim Glassman, economista-chefe do banco americano JP Morgan Chase. Os dólares deixariam de chegar ao Brasil e as cotações aqui dentro subiriam.

Além disso, 2010 é um ano de eleição presidencial, período no qual o mercado financeiro fica mais sobressaltado que o costume. Só para lembrar, em 2002, ano da primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o temor dos investidores com relação à mudança de governo fez o dólar bater um recorde de R$ 4 e o Índice Bovespa desabar a um mínimo de 9.000 pontos (hoje está perto dos 70.000).

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Tendência de pequena valorização
Apesar de todos esses riscos, o cenário para o dólar é bem mais sossegado do que há oito anos. “Os fundamentos da economia brasileira são muito mais sólidos”, diz Wjuniski, da Tendências. A inflação está sob controle, o governo consegue vender seus papéis no mercado interno e o Brasil tem mais dólares do que o necessário para pagar todas as suas dívidas externas. Ou seja, nem o mais ferrenho pessimista teme um calote brasileiro.

O que esperar para o dólar? Segundo Wjuniski, o pior cenário mostra a moeda americana sendo negociada a R$ 1,95 no mercado interbancário. Nos últimos dias, o dólar tem oscilando entre R$ 1,75 e R$ 1,80. “O dólar não deve superar R$ 2, mesmo no pior cenário eleitoral”, diz ele. Apesar de haver uma possibilidade concreta de vitória da oposição nas eleições de outubro, não se esperam grandes mudanças da economia brasileira.

Ou seja, não vale a pena investir no dólar, exceto nos casos clássicos de quem tem dívidas em dólar ou terá despesas em dólar _como uma viagem prolongada para os Estados Unidos, por exemplo. Caso contrário, é bom evitar a moeda americana.

Bolsa de valores

Os prognósticos para a Bolsa são positivos. Como a economia deve crescer mais de 5% em 2010, as empresas serão beneficiadas. Consumidores comprando mais elevam o faturamento e os lucros das empresas. A grande questão é: como ganhar dinheiro com ações?

A primeira recomendação para os investidores é que não olhem a bolsa como algo unificado, mas saibam perceber que há vários setores negociados no pregão, e que o comportamento deles não é uniforme.

Um levantamento da consultoria Economática, especializada em informações de companhias abertas, mostra que o Índice Bovespa _média ponderada das ações mais negociadas_ avançou cerca de 80% nos últimos 12 meses, mas esse desempenho não foi uniforme.

Setores como o de varejo e o de construção civil subiram mais do que 100%, ao passo que áreas como a industrial avançaram menos que a média. “Neste ano, deveremos ver uma recuperação das cotações das empresas industriais, especialmente as indústrias de transformação”, diz Wjuniski.

Com a economia internacional fraca, ações de commodities como petróleo (Petrobras), minério de ferro (Vale), aço e alimentos terão de depender do mercado interno. Os prognósticos são bons, mas os resultados dessas empresas dependem bastante dos negócios fora do Brasil.

O crescimento da economia e a continuidade de programas como o Bolsa Família também vão beneficiar o consumo e deverão turbinar as ações do varejo.

A bolsa é um bom negócio? Sim, desde que o investidor esteja consciente de que as ações são uma aplicação arriscada e de longo prazo. Ou seja, o dinheiro investido na bolsa é aquele que, a princípio, poderia ficar dois ou três anos aplicado.
 

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