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Faltam números confiáveis no Brasil para que bancos e varejo tenham percepção mais precisa do volume de crédito das famílias

Governo, bancos e comércio são uníssonos ao dizer que o comprometimento da renda das famílias brasileiras atualmente com dívidas é uma grande dúvida. Apesar de os números gerais da economia apontar um valor geral, não há como saber quanto cada perfil de cada tipo de consumidor deve na praça, principalmente aqueles com renda de até R$ 2 mil, avalia um assessor que está há 15 anos na área econômica do governo.

O crédito se expandiu de tal maneira nos últimos meses que, desde uma compra parcelada em uma loja de varejo até ela virar um título no mercado financeiro, a informação sobre o cliente desaparece. Além disso, empresas de varejo e bancos não compartilham dados sobre seus clientes, principalmente porque descobriram no crédito de baixa renda um grande filão para aumentar os lucros com os juros cobrados.

Por isso, em janeiro, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) criou uma pesquisa sobre endividamento que leva em conta as respostas das pessoas. Mas a pesquisa ainda é bastante contestada, por ter histórico recente e por conta da dificuldade de as pessoas responderem de modo preciso a um entrevistador sobre sua vida financeira.

Segundo Bruno Pereira Fernandes, economista da CNC, é, porém, exatamente entre as famílias com renda de até dez salários mínimos (R$ 5.100) que o crédito está se expandindo mais. “O aumento do emprego formal está puxando mais empréstimos.”

Conforme constatou em pesquisa, Fernandes aponta que caem, ao longo do ano, as parcelas de pessoas que se dizem endividadas, que têm contas em atraso e que acreditam que não terão condições de pagar o valor total tomado em empréstimos

Para o economista da CNC, a conjuntura atual permanece favorável ao comerciante que queira oferecer crédito aos seus clientes. Segundo ele, o volume da venda de veículos em julho é um dos exemplos de que ainda será possível que o brasileiro aumente ainda mais o seu nível de endividamento, em condições mais próximas à de países desenvolvidos.

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