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Finanças Pessoais
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Menos restaurantes e novas formas de lazer

A família Grant, de Washington, teve que aprender a se divertir de formas mais baratas desde o início da crise financeira

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Nas últimas semanas, a economia norte-americana tem apresentado dados positivos. O número de pedidos de auxílio-desemprego vem caindo, e a atividade industrial, crescendo. Mesmo assim, Peter Grant, que vive em Washington DC, a capital dos Estados Unidos, ainda prefere fazer programas caseiros com a família, para economizar.

A crise financeira que atingiu o mundo a partir de 2008 realmente mudou os hábitos dos norte-americanos. Peter e sua esposa, Anna, passaram a assistir mais televisão em casa com seus filhos, a ir à igreja com mais frequência e diminuíram o número de idas a restaurantes.

Peter é médico radiologista e ganha muito acima do salário mínimo norte-americano, que é de US$ 7,5 por hora (R$ 13,5), o que totaliza US$ 1.200 (R$ 2.300) ao mês. Somando o ganho de sua esposa, a renda da família Grant é de US$ 33 mil (cerca de R$ 60 mil) ao mês, dos quais metade é destinada ao pagamento de impostos.

Arquivo pessoal
O médico Peter Grant com a esposa e os filhos: lazer e restaurantes são 8,5% do orçamento
Os gastos com lazer, almoços e jantares em restaurantes já responderam por 15% do total em outras épocas. Atualmente, somam US$ 2.800, o que não passa de 8,5% na planilha do orçamento da família. “O lazer lá é muito mais caro do que aqui”, compara Vitória Saddi, professora de economia do Insper. “O aluguel de uma casa no litoral norte-americano será, no mínimo, US$ 500 mil por uma temporada de três meses de verão”, comenta, o equivalente a R$ 1,2 milhão.

Apesar de gastarem mais com lazer, a cultura muitas vezes sai mais em conta. Livros são mais baratos, e as bibliotecas públicas são muito mais utilizadas. “Nos Estados Unidos, há muitas delas, e as pessoas podem ligar e pedir o livro. O funcionário entrega em casa, depois busca. Aqui não temos isso”, diz Vitória.

Para a educação dos dois filhos, os norte-americanos gastam US$ 4.100 ao mês. Ainda que as escolas públicas sejam muito boas, eles preferem que seus filhos estudem em particulares. O ensino privado de alta qualidade é mais caro na cidade em que mora o presidente Barack Obama do que na do presidente Lula. Em Brasília, a família do médio Daniel Araújo, por exemplo, gasta R$ 3.500 com a escola de suas duas filhas.

Getty Images
Na capital dos EUA, família gasta 25% do orçamento com educação e habitação
Além da educação, o maior gasto da família Grant é com a casa, que leva 12,5% da renda mensal. Juntos, os itens habitação e estudos correspondem a 25% do orçamento familiar. No Brasil, a família Araújo não gasta mais de 9% do orçamento com habitação. Eles possuem casa própria e pagam R$ 700 de condomínio. Energia, internet e TV a cabo custam aproximadamente R$ 600.

Com plano de saúde e outros gastos médicos, Grant gasta US$ 1.800. Em geral, as empresas pagam os planos de saúde de seus funcionários integralmente ou parcialmente, dependendo da região dos Estados Unidos. No caso deles, apesar de Peter ser médico, ele arca com todos os custos da cobertura que escolheu.

Com compras de mantimentos e itens extras, não essenciais para a casa, a família Grant gasta cerca de US$ 1.500 ao mês, cifra que aprendeu a controlar melhor depois da crise econômica. Eles não sofreram com a crise, mas dizem ter melhorado os hábitos para viver com mais segurança.
 

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