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Finanças Pessoais
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Da blindagem à plástica, o sonho num carnê

Bom para consumidores indisciplinados, consórcio de serviços é melhor do que financiamento, mas perde da poupança

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Letícia Barbosa da Silva, de Maracanau, no Ceará, foi contemplada em março no consórcio que fez para pagar uma cirurgia plástica. Outras 144 pessoas faziam parte do grupo e Letícia foi a terceira sorteada. Em três meses, ela pagou R$ 416 e recebeu os R$ 5 mil necessários para alcançar seu sonho: colocar silicone nos seios. “Eu não estava com pressa de fazer a operação e, se tivesse feito uma poupança, não conseguiria juntar o dinheiro, acabaria gastando”, diz. O consórcio vale à pena justamente para pessoas como Letícia, que não têm pressa para atingir o objetivo, nem disciplina para poupar, segundo consultores financeiros consultados pelo iG.

“Só de existir um boleto, o cliente tem o sentimento de comprometimento”, diz Mauro Calil, consultor financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil. "Se poupança tivesse um carnê, por exemplo, talvez ficasse mais fácil para o brasileiro investir."

Quando o cliente coloca na ponta do lápis, no entanto, o consórcio compensa bem menos do que a poupança. “A grande vantagem do consórcio é a disciplina que ele nos impõe”, diz Cláudio Boriola, consultor financeiro, especialista em economia doméstica e Direito do Consumidor. "Contudo, é uma disciplina muito cara." Quando o cliente tem paciência para realizar o serviço desejado, o ideal é a poupança. Em relação aos financiamentos, no entanto, o consórcio ainda é mais vantajoso.

Arte iG
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“O resultado financeiro do consórcio é intermediário entre a poupança e o financiamento”, diz Calil. Os juros pagos em financiamentos são muito mais altos do que as taxas dos consórcios. Nos consórcios, geralmente são cobradas três taxas: de adesão, que varia entre 0% e 2%; administrativa, que varia de 0,5% a 6%, dependendo da administradora; e o fundo de reserva, que serve de prevenção para casos de inadimplência. Em financiamentos, as taxas variam em torno de 8,5% ao mês. Assim, a recomendação é: se o cliente tem disciplina e não tem pressa: poupança. Se é indisciplinado e não tem pressa: consórcio. Se quer o serviço (ou o bem) imediatamente: financiamento.

Flexibilidade é a maior vantagem

Cirurgias plásticas, saúde, cursos, festas e turismo são os tipos de serviços mais solicitados, segundo Paulo Rossi, presidente da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios). Além dos mais comuns, qualquer serviço pode ser contratado e o cliente não precisa definir onde gastará previamente. “Estão surgindo novas opções, como blindagem de veículos, paisagismo e jardinagem, por exemplo”, diz Rossi. A exigência legal é que a administradora realize o pagamento diretamente ao prestador de serviços. Se o consorciado mudar de idéia, pode usar os créditos para outro fim. Essa flexibilidade para a escolha do destino do dinheiro é apontada pelas administradoras como a principal vantagem dos consórcios de serviços. “Se você adquire um consórcio para pagar os custos de seu casamento, mas a relação acaba, você pode usar os créditos para viajar”, diz Antonio Mizael, gerente do consórcio Embracon.

Essa flexibilidade existe porque as administradoras fazem, na verdade, consórcios de crédito em dinheiro. Geralmente, são estabelecidas categorias, como por exemplo: de R$ 2 mil a R$ 5 mil, de R$ 5 mil a R$ 18 mil e de R$ 18 mil a R$ 30 mil. O cliente escolhe em qual faixa está seu objetivo. Quando é sorteado, ele tem o crédito para gastar a partir daquele momento, sem limite de tempo.

Os sorteios e a possibilidade de lances são outras vantagens que as empresas apresentam aos clientes. “Se uma pessoa quer R$ 10 mil para um serviço e faz poupança, tem de esperar dez meses até juntar todo o dinheiro caso consiga poupar R$ 1 mil ao mês”, diz Sebastião Cirelli, diretor executivo da Rodobens. "No consórcio, ela pode ser contemplada logo no primeiro mês ou pode dar um lance e conseguir o total."

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